FHC promete plano nacional de combate à seca

O presidente Fernando Henrique Cardoso deve anunciar, em 10 dias, um plano nacional de combate aos efeitos da seca, mais abrangente do que as já anunciadas medidas emergenciais. A estratégia do governo é adotar medidas estruturais cujos efeitos sejam mais duradouros para a região do semi-árido, e o programa federal vai basear-se em uma radiografia da disponibilidade de recursos no Orçamento, que está sendo preparada pela Câmara Setorial Extraordinária. Titular do órgão, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, reconhece que poderá enfrentar limites orçamentários, mas aposta na decisão do presidente para driblar eventuais resistências da área econômica. A Câmara Setorial Extraordinária já mapeou a situação em cada Estado atingido pela seca. Em documento finalizado nesta semana, foram registrados 176 municípios em situação de calamidade pública e outras 460 cidades em situação de alerta. O documento, a que o Estado teve acesso, deixa claro que a situação é mais grave na Paraíba, Minas Gerais e no Rio Grande do Norte. O governo federal decidiu antecipar sua intervenção, tendo em vista o que os técnicos chamam de seca verde, período em que ainda estão disponíveis pastagens para o gado e água para o consumo humano nessas regiões. A expectativa, entretanto, é que daqui a dois meses os problemas impostos pela estiagem venham a agravar-se, por isso a proposta de agir com rapidez.O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou hoje o ato normativo que criou a Câmara Setorial Extraordinária, instituída nos mesmos moldes da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE). A decisão deve ser publicada no Diário Oficial da União de amanhã. Colaboradores próximos ao presidente garantem que, embora a crise no setor elétrico seja grave, Fernando Henrique está sensível aos problemas do Nordeste e disposto a fazer o que for necessário para oferecer uma solução.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.