FHC prega democracia radical contra o xenofobismo

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o Brasil não pode ficar indiferente às manifestações de radicalização no mundo atual e que o País deve apostar na radicalização da democracia. ?Esta é a utopia pela qual devemos continuar a lutar: uma utopia que não estigmatiza as minorias, mas busca integrá-las no convívio social; uma utopia que não divide, mas agrega?, destacou em artigo publicado pelo jornal Zero Hora neste domingo, no qual analisa a votação que o líder de extrema direita Jean-Marie Le Pen teve na França e as lições que o Brasil pode tirar do crescimento de idéias xenófobas na Europa.Citando análises de estudiosos, o presidente observa que a globalização da democracia parece estar revelando a insuficiência dos mecanismos tradicionais de representação popular. ?Vota-se mais contra o que se teme (insegurança, violência, perda de identidade nacional) do que a favor do que se deseja?, avalia.Uma segunda causa para a radicalização, segundo ele, seria uma fratura cultural. ?Ela separa, fundamentalmente, aqueles que estão do lado da modernidade da razão, do universalismo, e aqueles que se refugiam na segurança de suas identidades, em suas atitudes excludentes?.Fernando Henrique salienta que a busca de uma social-democracia renovada deve continuar a ser perseguida, pois o recuo a extremismos não atende à necessidade de conjugar liberdade e justiça social. ?No Brasil, não há a menor dúvida de que a construção de uma sociedade mais desenvolvida, mais igualitária e fundada nos valores da democracia e da cidadania não passa pelas ortodoxias ou pelos sectarismos?, afirma.O presidente lembra que por ser uma nação rica em diversidade e repleta de contrastes sociais e regionais, o Brasil tem a necessidade de construir uma mentalidade de inclusão e não de exclusão, de participação e solidariedade e não de antagonismo nefasto. E cita o País e a França como credenciados a assumirem um papel ativo na modulação de uma ordem mais imune ao dogmatismo e à exclusão. ?Por história e formação, somos fadados ao universalismo.?

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