FHC pede compreensão de ruralistas a veto de MP

O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou nesta quarta-feira à tarde para o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE), para pedir sua interferência junto à bancada ruralista na tentativa de convencê-la da necessidade do veto parcial à medida provisória que renegocia as dívidas dos grandes proprietários de terra.Aprovada há duas semanas, a MP aumentou em R$ 960 milhões o montante a ser alongado das dívidas dos grandes agricultores. Fernando Henrique está disposto a vetar esse aumento de despesas. Mas teme que, em represália, a bancada ruralista vote contra a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). ?Ninguém aceita que isso seja vetado porque acha que é uma picuinha do governo com as regiões mais pobres do País?, disse o líder Inocêncio Oliveira. No final da tarde desta quarta, depois de conversar com o presidente da Frente Parlamentar Ruralista, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), ele telefonou de volta para o presidente Fernando Henrique, avisando que a bancada ruralista está irredutível e não aceita o veto presidencial.?O presidente não prometeu que não ia vetar, mas mostrou boa vontade de estudar com mais cautela o assunto?, afirmou o líder. ?Mas lembrei ao presidente que o Congresso pode derrubar o seu veto?, completou. E a bancada ruralista já começou a se movimentar nesta quarta-feira mesmo para derrubar o veto à medida provisória.Ronaldo Caiado procurou o presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), para pedir empenho na votação do veto presidencial. ?Caso haja realmente o veto, pedi ao presidente Tebet que ponha isso o mais rápido possível em votação?, disse o deputado. Ele não quis, no entanto, antecipar se a bancada, integrada por cerca de 160 deputados, votará contra a CPMF, caso o presidente resolva vetar a MP.Os R$ 960 milhões a mais na renegociação das dívidas dos ruralistas são fruto da inclusão das dívidas dos fundos constitucionais do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. Ao todo, a MP renegocia dívidas no valor de cerca de R$ 4 bilhões ? sendo que R$ 960 milhões foram acrescentados na votação do Congresso.Na semana passada, para aprovar a medida provisória que aumentou as tarifas de energia elétrica, o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, se comprometeu a estudar o não veto ao aumento de despesas. ?Agora, ele (Parente) está dizendo que não assumiu nenhum compromisso de não vetar a MP?, reclamou Caiado.Segundo ele, a inclusão na medida provisória dos fundos constitucionais aumenta em cerca de R$ 300 milhões a renegociação das dívidas e não em R$ 960 milhões, como alega o governo. Caiado disse ainda que o ministro Pedro Parente ficou de informar se o presidente irá ou não vetar a MP até o dia 25. ?Estamos esperando um gesto do governo que, afinal, foi muito bondoso com o setor elétrico?, disse o deputado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.