FHC nega-se a comentar alta do dólar

O presidente Fernando Henrique Cardoso negou-se hoje de manhã a comentar a alta do dólar ontem, apesar da anunciada estratégia do Banco Central de atuação linear. "Dólar não é assunto do Presidente da República, é do Banco Central", afirmou o presidente, que visita a Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, em Lajeado, em Tocantins. Sobre as afirmações do ministro da Economia, Domingo Cavallo, que referiu-se ao Brasil como um "elefante", ontem, o presidente respondeu que não é criando problemas com terceiros que a Argentina vai resolver o problema dela. O presidente afirmou que sempre conversa com o presidente argentino Fernando de La Rúa e poderia conversar com ele nas próximas horas.PMDBO presidente voltou a exigir do PMDB uma decisão sobre sua participação na aliança governista. "O PMDB vai ter que resolver. Se não quiser ser aliado do governo, pegue o caminho da roça". Negou no entanto que tivesse feito um ultimato ao partido. "Não dou ultimato a ninguém". Mas criticou o presidente peemedebista, senador Maguito Vilela (GO), pelos ataques que tem feito ao governo: "O presidente de um partido não pode ter a língua solta". Fernando Henrique negou que estivesse defendendo o fórum privilegiado para políticos com julgamento de ex-presidentes apenas pelo Supremo Tribunal Federal, conforme divulgado hoje pela imprensa. "Não quero fórum (especial) nenhum porque não devo nada a ninguém". O presidente argumentou que quando privatizou a telefonia, o fez porque a população queria. Quanto à afirmação do senador Pedro Simon (PMDB-RS) de que a defesa do fórum especial seria o "efeito Menem" (com relação ao fato de o ex-presidente argentino estar sendo processado por tráfico de armas), o presidente Fernando Henrique Cardoso respondeu: "Não fico minando a dignidade de ninguém".Setor elétricoO presidente discursou na Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães e afirmou que a discussão sobre o uso dos recursos públicos ou privados no setor elétrico é assunto ultrapassado. O presidente sustentou que o objetivo do governo é fazer o país crescer. "Essa discussão é ridícula", afirmou. O raciocínio do presidente é que se o governo não tiver dinheiro para investir, isso precisará ser feito pela iniciativa privada. A crise, segundo ele, é momentânea e o parque hidrelétrico brasileiro tem enorme condição de expansão. O presidente citou dados a ele apresentados de que há condição de construir hidrelétricas para produzir 120 mil MW médios. "O Brasil não vai condenar a a produção de energia a partir dos recursos hídricos", disse. "Temos que tirar uma lição para termos um futuro mais seguro", afirmou. Fernando Henrique saiu de Lajeado para a Base Aérea em Palmas, onde embarcará no vôo para Brasília.

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