FHC nega que será candidato em 2010 e prega renovação política

O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, afirmou em entrevista ao Canal Livre, da TV Bandeirantes, que não será candidato à Presidência em 2010. "Eu acho que passou a época, acho que cada um tem que saber o seu momento. O meu momento agora é outro", garantiu o ex-presidente. Ele se disse favorável à renovação política e lembrou que a vantagem alcançada pelo presidente Lula nas pesquisas até aqui se deve, sobretudo, ao capital político alcançado com a quinta candidatura seguida dele à Presidência. Mas ela pode ser revertida. "Isso não quer dizer que não seja possível um outro ser conhecido. E na campanha eleitoral você se torna conhecido com muita rapidez."Fernando Henrique comentou as declarações do ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira. "Eu acho que as repercussões serão muito negativas para o presidente Lula e para o governo dele", ponderou. Ele disse que a gravidade do valerioduto não pode ser minimizada e criticou o presidente por chamar de "meus companheiros" alguns dos envolvidos no escândalo. "É grave o fato de não haver uma repulsa clara a isso do próprio presidente da República, que era o chefe do partido", observou. Segundo ele, o valerioduto nada teve a ver com o caixa 2 de campanha. "É a utilização de recursos financeiros públicos e privados para a obtenção de apoios para uma política, o que é feito no Congresso depois das eleições", frisou. "É corrupção das instituições."Ao ser perguntado se o PSDB também não teria se envolvido em práticas irregulares, referindo-se às denúncias contra o ex-presidente do partido, Eduardo Azeredo, afirmou: "Pessoas do PSDB podem ter estado envolvidas - e estiveram - em coisas equivocadas com pessoas de outros partidos. Mas é um fato diferente, foi isolado, não foi o partido quem fez." O ex-presidente procurou ressaltar as diferenças, afirmando que agora existiria um sistema de corrupção dentro do governo, baseada na convicção de que para o PT o partido é tudo e que ele tem que ocupar o Estado para mudar a sociedade. "O PSDB é um partido mais republicano, que acredita na separação do público e do privado, acredita na democracia e na transparência", ponderou.Governo LulaFHC admitiu que o atual governo tem alcançado alguns resultados na economia e em políticas sociais, mas procurou minimizá-las afirmando que seriam apenas uma continuidade de seu próprio governo. "As políticas atuais que estão sendo feitas pelo Lula foram começadas por mim", citando entre outros programas a universalização da educação, o Bolsa Família, o Bolsa Escola e o Vale Gás. Ele ressaltou também que a política econômica deste governo também não foi inovadora. "O PT pensou que fosse fazer na economia uma transformação, mas não fez", provocou o ex-presidente. "Acabou seguindo o que era possível de fazer e que nós já tínhamos iniciado."Por outro lado, ele criticou o atual governo pela falta de investimentos - público e privado -, que poderiam gerar mais emprego, sendo que este estaria relacionada à falta de confiança no governo Lula. E alertou que a política de redução de juros será limitada pelo aumento de gastos na atual gestão. "Eu tinha uma economia internacional negativa. Agora a economia internacional é positiva e não obstante o governo está criando um problema para o futuro, que é a questão fiscal: ele está aumentando o gasto público", frisou. "A política monetária é conseqüência da política fiscal: como o governo está expandindo o gasto, num momento em que não precisaria, ele reduz a possibilidade de o Banco Central diminuir a taxa de juros."Fernando Henrique reprovou a gestão do presidente Lula no episódio da crise do gás com a Bolívia. Ele explicou que faltou uma ação preventiva do governo Lula, pois Evo Morales antecipadamente já vinha dando sinais do que faria. Além disso, fez ressalvas ao tratamento dado pelo atual presidente à questão. "Tem que tratar o presidente da Bolívia e as forças que o apóiam de uma maneira mais dura, tinha que ser mais firme." FHC foi taxativo ao criticar o encontro de Lula com os presidentes Evo Morales, Nestor Kirchner e Hugo Chávez em Puerto Iguazú. "Com todo o respeito, o presidente Lula não tinha que ir", sentenciou afirmando que o presidente deveria ter mandado um ministro ou até mesmo o presidente da Petrobras para a reunião. "Discutir num outro país, que é Argentina, e com o Chávez que não tem nada a ver com o assunto. Eu acho que nós ficamos diminuídos."

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