FHC nega liberação de verba

O presidente Fernando Henrique Cardoso ameaçou hoje tirar cargos dos parlamentares infiéis da base aliada do governo que assinem ou que não retirem a assinatura do requerimento para a instalação da CPI da Corrupção. "Quem está contra está fora, não sou eu quem está tirando: é a pessoa que está saindo ou então não tem caráter", disse.Embora a liberação de recursos orçamentários nos últimos dias tenha sido bem maior que a média, o presidente negou que o governo esteja usando deste artifício como instrumento político para barrar a instalação da CPI no Congresso. Fernando Henrique garantiu que não acha "legítimo que o governo libere verba para retirar assinatura" e afirmou que não se pode confundir "luta política com fisiologia". Ressaltou ainda que é uma "deformaçãomental" pensar que a liberação de verbas seja o único instrumento político de que dispõe um governo. Segundo o presidente, o governo está usando de argumentos para convencer os parlamentares de que a CPI da Corrupção é inconstitucional e não atende aos interesses do Brasil. Fernando Henrique declarou ainda que se a CPI for instalada, o governo irá apoiá-la, como fez com outras CPIs, porque "não tem nada a esconder". As declarações foram feitas em discurso na solenidade de inauguração da ponte sobre o rio Paraguai no Mato Grosso do Sul e reforçadas em entrevista coletiva após o evento. No discurso, o presidente chegou a ser irônico para criticar informações de que teria liberado R$ 3,4 bilhões para "abafar" a CPI. Segundo o presidente este valor é maior que o orçamento anual do Ministério dos Transportes e quase o do Ministério da Educação. "Não é correto fazer de conta que o governo está usando métodos imorais para sustentar uma posição política", criticou. "Se estiver fazendo, que se critique, mas acho que quando se chegaao exagero, ao ridículo de falar em bilhões, aí o que se está querendo é enganar a população." Na entrevista coletiva o presidente irritou-se e chegou a dizer a uma jornalista que o questionava sobre a liberação de verbas que a pergunta era uma afirmação falsa. "Há a liberação de muitas verbas que eu não sei de onde equem está liberando porque a máquina do governo não pára", respondeu o presidente. "Agora não há nenhuma ligação entre isso e a CPI isso é uma indignidade que não aceito." Segundo Fernando Henrique todo ano, em certa épocas, se liberam verbas, às vezes saldos do ano passado. "Acho necessário que o governo libere verba, quando a verba for votada pelo Congresso e quando houver condições financeiras para liberá-la, independentemente do que esteja sendo votado, porque senão vou ter de parar a liberação deverbas", justificou.Veto políticoDepois de qualificar seu veto à CPI como político, o presidente voltou a destacar a luta que o governo vem empreendendo contra a corrupção no País. "Ninguém está fazendo uma luta mais tenaz para acabar com os focos estruturais de corrupção no Brasil como eu e meu governo", disse, repetindo os argumentos de que esta é uma CPI inconstitucional por englobar vários temas em um só requerimento e inócua porque todas denúncias já estão sendo investigadas pelo Ministério Público, Polícia Federal, Justiça e processos administrativos do Executivo. "É um palanque eleitoral e se fosse só uma questão política já seria grave, mas é uma questão que afeta a credibilidade do Brasil, porque dá a impressão porque de que o Congresso não teria outra coisa a fazer", comentou. Segundo o presidente, ele comete erros, mas nunca com propósitos menores de "colocar a sujeira debaixo do tapete" ou beneficiar-se de coisas ilícitas. "Isso não é erro, é crime e crime eu não pratico." Fernando Henrique usou seu discurso para fazer um apelo para que as diferenças políticas sejam resolvidas dentro do diálogo e do respeito e pediu ainda que se dê às pessoas o direito de defesa. Segundo o presidente o Brasil não pode ser um País no qual "mal alguém aponte o dedo para acusar, já se linche a pessoa como se ela fosse culpada". Lembrando que vários brasileiros já foram vítimas da intolerância no passado, Fernando Henrique pregou "abertura de espírito" e condenação somente após a análise dos fatos. "Se tiver havido a transgressão, aí sim condena e pune porque o Brasil precisa de punição para aqueles que transgridem."

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