FHC nega desavenças com Tasso

O presidente Fernando Henrique Cardoso classificou de "bobagem" as especulações sobre desavenças entre ele e o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB). Ao chegar a Fortaleza no começo da noite, para jantar com Tasso, Fernando Henrique negou que o encontro tivesse a finalidade de selar a paz entre os dois. "Qual guerra? Ele (Tasso) me deu até esse casaquinho de presente", disse Fernando Henrique, que vestia um casaco verde sobre uma camisa xadrez, ao desembarcar na Base Aérea da capital cearense, onde a temperatura era de 25 graus. "(Tasso) mandou que eu viesse com esse casaco, que é presente dele, do coração dele. Vem falar em guerra, aqui comigo e com o Tasso?"O governador, que vestia apenas uma camisa de manga curta ao receber Fernando Henrique, reagiu da mesma forma, contando que o casaco era presente dele. Pré-candidato à Presidência, Tasso criticou recentemente o comportamento do presidente nas articulações para definir o nome tucano na disputa pelo Palácio do Planalto, nas eleições de 2002. Sentindo-se preterido, declarou que o candidato do PSDB não sairá "do bolso do colete" de FHC.O jantar estava marcado para ter início às 21 horas, na casa particular de Tasso, na Praia do Futuro, em Fortaleza. Nos últimos dias, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, deu o tom do recado de Fernando Henrique: o candidato do PSDB que atacar o governo não terá chance de vitória.O bom humor do presidente no pronunciamento feito à imprensa, na Base Aérea, contrastou com o jeito calado de Tasso, que só riu ao negar desavenças com Fernando Henrique. Amanhã, os dois vão ao município de Marco, a cerca de 200 quilômetros de Fortaleza, lançar a segunda fase do Projeto Baixo Acaraú, que deverá irrigar 8 mil hectares para a produção de frutas. Depois, visitam as obras do Porto de Pecém, a 50 quilômetros da capital, previsto para operar a partir de fevereiro. Durante a vista ao Porto de Pecém, será apresentado ao presidente o projeto da empresa Wobben Windpower, subsidiária da alemã Enercon, que produzirá equipamentos para usinas eólicas. São pás e aerogeradores que transformam a energia do vento em eletricidade.Tasso Jereissati vai anunciar a instalação, pela iniciativa privada, de quatro parques eólicos e de uma termoelétrica no local. As usinas eólicas deverão começar a funcionar em um ano. O Ceará só produz 1% da eletricidade que consome. Até 2004, o Estado deverá gerar 40% do que necessita.

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