FHC nega articulação com Temer e Lula para barrar a Lava Jato

Ex-presidente usou sua página no Facebook para dizer que 'não participou e não participa' de movimento para 'estancar ou amortecer os efeitos das investigações'

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2017 | 17h20

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) usou sua página no Facebook para negar que tenha participado de qualquer articulação com o presidente Michel Temer (PMDB) e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a sobrevivência política de seus partidos após a abertura dos inquéritos contra políticos autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de FHC, Lula e Temer, políticos das três legendas foram citados nas delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht que originaram os pedidos de inquérito.

"Não participei e não participo de qualquer articulação com o presidente Temer e com o ex-presidente Lula para estancar ou amortecer os efeitos das investigações da Operação Lava Jato. Qualquer informação ou insinuação em contrário é mentirosa", escreveu FHC. Na quinta-feira, 13, o jornal Folha de S.Paulo noticiou que o ex-ministro do STF Nelson Jobim e o atual ministro da Corte Gilmar Mendes estão, desde o ano passado, conversando com Lula, FHC e Temer com vistas a um pacto que garanta a sobrevivência política dos três principais partidos do País.

O ex-presidente tucano defendeu, no texto, o estabelecimento de um diálogo entre políticos e a sociedade diante do "desmoronamento" da ordem político-partidária e das "distorções" dos sistema eleitoral. "O diálogo em torno do interesse nacional é o oposto de conchavos. Deve ser feito às claras com o propósito de refundar as bases morais da política", afirmou.

O tucano disse ainda ser favorável ao prosseguimento das investigações. "De seus desdobramentos nada tenho a temer", declarou.

Ele também se defendeu das declarações do patriarca do Grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, no acordo de colaboração premiada com a Lava Jato. Emílio disse ter pago "vantagens indevidas não contabilizadas" às campanhas presidenciais de FHC, em 1993 e 1997. O tucano declarou que não há menção a irregularidades na delação. "Basta ouvir a íntegra das declarações de Emílio Odebrecht em seu depoimento ao Judiciário para comprovar que nelas não há referência a qualquer ilicitude por mim praticada nas campanhas presidenciais de 1994 e 1998 (anos de início de mandato)", afirmou FHC.

Para Fernando Henrique, o País vive uma "crise gravíssima com desdobramentos econômicos e sociais imprevisíveis".

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