FHC não deve definir opção do PSDB na sucessão

O ministro da Saúde, José Serra, e o governador do Ceará, Tasso Jereissati, estão ansiosos por um sinal do presidente Fernando Henrique Cardoso que revele qual o tucano de sua preferência na corrida presidencial, mas não terão pista alguma do Palácio do Planalto. "Se o presidente comandar a escolha do PSDB, perderá condições de assumir o comando geral de sua sucessão", justifica um ministro de Estado que acompanha a movimentação.Os principais articuladores do governo dizem que o chefe não pode assumir candidatura alguma, neste momento. Do contrário, alertam, seu discurso em favor da candidatura da aliança governista, que poderá ter um tucano na cabeça de chapa, perderá legitimidade. Assessores mais próximos do presidente defendem que ele continue a operar nos bastidores, com discrição, e só entre no jogo de forma ostensiva no segundo tempo, depois de escolhidos os candidatos de cada partido.O processo sucessório tomou novo impulso, esta semana, com a articulação do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), em favor da candidatura única da base governista na corrida presidencial. A movimentação do tucano não desagradou o Planalto. "O Tasso agiu corretíssimo", resume um colaborador do presidente, ao lembrar que foi o próprio chefe quem sugeriu, há dias, que os tucanos que têm pretensão de sucedê-lo assumissem a condição de pré-candidatos. Mas o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA) mantém a tese de que "o timming do governo é outro". A despeito das manifestações dos vários partidos aliados em favor da unidade na campanha presidencial, Jutahy defende que cada partido faça sua escolha internamente. "Cabe ao PSDB oferecer à aliança um programa e um candidato, e os demais partidos que quiserem podem fazer o mesmo", diz o líder, ao salientar que a escolha é particular de cada partido. A seu ver, o presidente só deve entrar para valer no segundo tempo. "O papel dele é costurar a unidade em torno das alternativas que forem postas e o PSDB deseja ter a sua, apontada pelos filiados", insiste Jutahy, salientando que os partidos da aliança têm suas diferenças - caso contrário, seriam um partido único. O líder do PMDB, deputado Geddel Vieira Lima (BA), adverte, porém, que se o presidente só entrar firme no segundo tempo, entrará atrasado. "O governo ainda não começou a jogar para valer e tem que deixar de timidez, ou pagará o preço dela", critica. Ele sugere que o presidente sinalize claramente o nome de sua preferência, trabalhe por ele e pague o preço. "Esta não é uma batalha possível de se comandar fora do front", insiste Geddel. "Só quem não conhece e não acompanha bem o presidente imagina que ele não está no jogo", contesta o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. "Ele não faz outra coisa", diz o ministro, que considerou muito "saudável, positiva e oportuna" a articulação dos governadores esta semana. "Esta articulação tem que começar agora para afunilar em fevereiro, quando deve sair o nome do candidato".

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