FHC lidera bancada tucana contra CPMF

Apesar de Serra e Aécio terem interesses em jogo, deputados e senadores do PSDB decidem 'bater o pé' e obstruir ao máximo a votação

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

Apesar da pressão do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda sobre os governadores, e da boa vontade dos tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), os líderes e as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado estão decididos a se contrapor à ofensiva do governo para prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem dirigentes tucanos se reuniram na noite de quinta-feira em São Paulo, o PSDB decidiu "bater o pé" e obstruir ao máximo a votação, antes de recusar a emenda. Em vez do "xô CPMF" entoado por integrantes do DEM, os tucanos pregam o "xô irresponsabilidade", acusando o governo Lula de aplicar mal os excessos de arrecadação, inchando a máquina pública. A manifestação crescente de deputados e senadores do PSDB em defesa do voto contrário à proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2012 preocupa Serra e Aécio. Apontados como as alternativas mais fortes da oposição para suceder Lula em 2010, os dois estão pendurados em um aval da União para obter empréstimos junto ao Banco Mundial no montante de R$ 4 bilhões, no caso de São Paulo, e R$ 2 bilhões, para Minas. Mas nem isto intimida FHC e as bancadas, que se reuniram esta semana em Brasília e decidiram dificultar a vida do governo. Um interlocutor comum de FHC e do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen conta que os dois têm conversado "à exaustão" e que, na última conversa, Fernando Henrique deixou claro que os dois partidos devem estar juntos na luta contra a CPMF até porque o empréstimo do Bird não é uma "questão de vida ou morte" para Serra. "A visão geral é de que esta administração Serra será um sucesso com ou sem empréstimo", diz o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), um dos tucanos que se reuniram com FHC e depois jantaram com o governador. O deputado reconhece que o crédito é o "oxigênio do investimento", mas adverte que isto não pode ser tratado como favor político e diz que Serra jamais trocaria "subserviência" por favorecimento. "Nem ele, nem nenhum outro governador do PSDB", observa Vellozo Lucas, ao frisar que os administradores tucanos têm "estatura intelectual" para fazer uma gestão eficiente. "Não precisa ser subserviente para fazer uma boa administração no Brasil."Diante da manifestação generalizada da dezena de convidados contra a CPMF e dos relatos sobre as quatro horas de reunião na Câmara, onde 90% da bancada de 58 deputados esbravejaram contra a prorrogação do tributo, o anfitrião FHC não hesitou. "É isto mesmo. Temos que marcar nossa posição na oposição ao governo Lula", propôs, ao lembrar que a CPMF foi criada em uma circunstância de crise em 1993, quando o Estado ainda estava desarticulado, tentando sair da inflação, e não tinha receita. "A situação econômica hoje é outra", insistiu. "A postura do PSDB tem que ser a devotar em sintonia com a sociedade, que não agüenta mais tanto imposto", atalhou o deputado Arnaldo Madeira (SP), segundo um dos presentes. "Imagina se tivesse o dinheiro que esse governo tem agora, na minha época", ponderou FHC. Da reunião com o ex-presidente, parte do grupo foi jantar com Serra. O próprio governador tratou de puxar o assunto do empréstimo e se queixou da lentidão do governo em dar seu aval. "Está devagar demais. Tem que passar por vários órgãos do governo e é muito demorado", lembrou Serra, deixando no ar sua preocupação. "Quando o Estado está com contas em dia, cumprindo Lei de Responsabilidade Fiscal, não há por que ficar segurando", queixou-se ele, sem contudo fazer qualquer apelo em favor da CPMF.

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