FHC lança programa de recuperação de lavouras de cacau

O presidente Fernando Henrique Cardoso lançou hoje, na sede da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), em Ilhéus, um programa que destinará, nos próximos dois anos, um total de R$ 489 milhões à recuperação das lavouras de cacau no sul da Bahia, atingidas pela praga denominada "vassoura de bruxa". Os financiamentos terão taxa fixa de juros de 8,75% ao ano, e o valor dos financiamentos variará de acordo com o porte do tomador. O projeto tem por objetivo criar 100 mil novos empregos na região. O lançamento do programa foi marcado por uma disputa por espaço perto do presidente, travada entre os "carlistas" (adeptos do ex-senador Antonio Carlos Magalhães) e os líderes do PMDB e do PSDB na Câmara, deputados Geddel Vieira Lima e Jutahy Magalhães, ambos baianos. Na mesa dos trabalhos, os "carlistas" ocuparam seis dos 13 lugares. Entre eles estavam, além do governador Cézar Borges, os senadores Waldeck Ornelas, Antonio Carlos Magalhães Júnior e Paulo Souto, todos do PFL baiano. Diante dessa platéia, Fernando Henrique fez um discurso conciliador. "Engoli muito sapo, não me arrependo, mas só que para o bem do Brasil", disse ele, referindo-se a suas diferenças com ACM. "Se for para o bem da Bahia e do Brasil, estamos juntos, temos que ter um pensamento só", acrescentou. "A despeito de quaisquer fatores, continuarei amigo da Bahia", anunciou ao final do seu pronunciamento, em que, entretanto, em nenhum momento chegou a citar o ex-senador nominalmente. FHC recordou a trajetória do escritor Jorge Amado, que nasceu na vizinha cidade de Itabuna e se tornou conhecido com o romance "Cacau", que tem o Sul da Bahia como cenário. Segundo Fernando Henrique, as ações do governo federal na região "certamente deixarão Jorge Amado feliz, seja onde ele estiver". Ainda a propósito de Jorge Amado, Fernando Henrique lembrou uma citação do escritor paulista Oswald de Andrade, que considerou o romance ?Jubiabá?, de autoria do escritor baiano, "o mais belo comício que o Brasil ouviu depois do Navio Negreiro".

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