FHC intervém para acabar com briga entre Serra e Tasso

O presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu hoje pôr fim às disputas internas entre os pré-candidatos do PSDB à sua sucessão, com a finalidade de resguardar a imagem de coesão dentro do partido. Depois de ter sido informado sobre as declarações do governador do Ceará, Tasso Jereissati, de que a escolha presidencial havia recaído no nome do ministro da Saúde, José Serra, Fernando Henrique iniciou a reação.Reafirmou que a escolha do candidato ocorrerá só em 2002 e pediu para o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), entrar em contato com os pré-candidatos e argumentar em favor da unificação do discurso do partido. "O presidente da República não vai interferir nesse processo", declarou Fernando Henrique, após visitar a exposição Brazil: Body and Soul, no museu Guggenheim, em Nova York. "Tudo que for autenticamente proposto para melhorar o País, o PSDB, é positivo. Não tem nada de partido rachado." Aécio, que acompanha o presidente na viagem aos Estados Unidos, entrou em contato com Tasso de manhã. Na noite anterior, ele já havia conversado com Serra. O presidente da Câmara se esquivou de narrar as conversas, mas indicou que já esperava, naquele momento, uma mudança no tom dos discursos públicos. Fernando Henrique, por sua vez, insistiu em que não acreditava que Tasso tivesse feito críticas a ele ou ao partido.A confusão dentro do PSDB foi precipitada ontem, quando o governador do Ceará afirmou que o presidente já havia optado por Serra. A suposta decisão foi definida por ele como "jogo de cartas marcadas", do qual se negava a participar. "Ele jamais disse isso. Até porque ele me conhece muito bem e sabe que, como presidente da República, eu não faria jamais isso. Seria uma precipitação", afirmou o presidente. "Tenho dito reiteradamente que é só no ano que vem que se deve discutir essa questão. Como é que vou decidir de antemão quem vai ser o candidato?"Fernando Henrique ressaltou que admira o governador, mas deixou claro que Tasso é apenas um companheiro de partido que se apresentou como candidato à sucessão e que outros poderão entrar na disputa. Aécio, por sua vez, completou que a expectativa do presidente é de que os candidatos se movimentem "respeitando o governo e o partido, no limite que a boa ética recomenda". "Não existem candidatos do PSDB. Existem postulantes", afirmou.Segundo o presidente da Câmara, o nome do candidato tucano será escolhido de forma serena e madura pelo partido, nos próximos "dois, três ou quatro meses". Ele comentou, ainda, sobre o peso que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL) terá no processo. "Não estou na corrente dos que desdenham da candidatura da governadora. Ao contrário. Ela ocupou espaço e deve ser respeitada por isso."Em princípio, a expectativa no partido é de anunciar apenas em fevereiro o nome do escolhido, que tenha maior poder de aglutinar a aliança governista e de vencer as eleições. Conforme afirmou Aécio, o fato de os partidos de oposição já terem antecipado os candidatos não deverá interferir na opção do PSDB. "Não vamos montar a nossa agenda em função da agenda dos outros."

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