FHC faz última viagem oficial ao exterior

Numa visita a Nova York que começou neste sábado e termina na próxima terça-feira, Fernando Henrique Cardoso está fazendo sua última viagem oficial ao exterior, onde recebe um prêmio da Organização das Nações Unidas (ONU) como homenagem pelo que fez no campo social em seus oito anos de mandato.Na ONU, ele também deve discutir a possibilidade de trabalho para quando deixar o cargo. Num almoço com o secretário-geral da organização, Kofi Annan, nesta segunda-feira, ele vai ouvir detalhes sobre o convite para ser ?um conselheiro especial dele? (Annan), conforme explicou ao chegar ao Hotel Plaza, no começo da noite de sábado, enfrentando a temperatura de 3 graus centígrados.Sem pressaAnnan também é um dos maiores incentivadores do Clube de Madri, organização internacional formada por ex-governantes que assessora países em processo de democratização. Na assembléia da entidade no ano passado, Fernando Henrique foi escolhido por unanimidade para liderar o grupo de 46 ex-chefes de Estado que conta, entre outros, com o ex-presidente americano Bill Clinton, o ex-primeiro-ministro britânico John Major, o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzalez, o ex-presidente russo Mikhail Gorbachev e o ex-chanceler alemão Helmut Kohl.Mas o presidente diz não ter pressa para definir seu futuro. ?Estou com tantos convites que tenho de ir devagar, porque senão vou trabalhar mais, e preciso descansar um pouquinho, não??, disse o presidente.ConferênciasA maior parte dos convites que tem recebido é para conferências em universidades européias e americanas. Nesta segunda-feira, em cerimônia no centro de estudos e museu Morgan Library, ele recebe o Prêmio Mahbub ul Haq, que está sendo concedido pela primeira vez pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).O prêmio destina-se ao chefe de Estado que tenha obtido maior êxito na implementação do desenvolvimento humano na agenda política de seu país, segundo a comissão de especialistas internacionais que o outorgou.Prêmio divididoFernando Henrique quis dividir o prêmio com dois de seus auxiliares na área social, que o acompanham nesta última viagem presidencial, o ministro da Educação, Paulo Renato, e o senador José Serra (PSDB-SP), por sua atuação no Ministério da Saúde.Para receber a homenagem, Fernando Henrique estará acompanhado de cerca de 30 pessoas, entre familiares, assessores e políticos, a maioria de seu partido, o PSDB, que viajaram com ele como convidados. Também faz parte da comitiva presidencial a atriz Regina Duarte.Fora a entrega do prêmio e o almoço com Kofi Annan, nesta segunda-feira, a agenda de Fernando Henrique só tem compromissos considerados pessoais. O primeiro deles foi um jantar, no sábado à noite, do qual participaram apenas ele, a primeira-dama, Ruth Cardoso, e mais seis casais.Realizado no restaurante do Royalton, um hotel-boutique da Rua 44, o jantar reuniu o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, o embaixador do Brasil nos EUA, Rubens Barbosa, o cônsul brasileiro em Nova York, Júlio César Gomes dos Santos, e o presidente do Conselho das Américas, Myles Frechette.FãsDois grandes fãs de Fernando Henrique deram o tom acadêmico do encontro: o economista Albert Fishlow, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Columbia University, e Albert Bildner, empresário e filantropo que viveu no Brasil entre 1959 e 1976 e, há 20 anos, fundou o Bildner Center, uma instituição para estudos de questões políticas e sociais do hemisfério ocidental na City University of New York (Cuny).Primeiro a chegar ao restaurante, Fishlow elogiou o perfil de cientista político do presidente e comentou que ?seria uma honra ter Fernando Henrique na Columbia?. O caráter privado da passagem de Fernando Henrique por Nova York estende-se ao almoço deste domingo, no próprio Plaza, com o presidente do Banco Mundial, Enrique Iglesias.?Eles são muito amigos há muito tempo e este é um almoço entre dois amigos?, explicou Ana Tavares, assessora de imprensa de Fernando Henrique. É noite, toda a comitiva foi recepcionada num coquetel na residência do embaixador do Brasil na ONU, Gelson Fonseca.Agenda de trabalhoQuem tem agenda oficial de trabalho é dona Ruth. Ela deve passar toda a segunda-feira na sede da ONU, em reunião da UN Foundation, organização que promove parcerias entre instituições públicas e privadas para dar apoio a programas socioeconômicos, humanitários, de saúde e de meio ambiente.Depois de receber o prêmio dado pelo PNUD, nesta segunda-feira à noite o presidente será homenageado por parlamentares e senadores brasileiros num jantar. Com agenda livre para a terça-feira de manhã, toda a comitiva retorna ao Brasil à tarde.A última viagem oficial de Fernando Henrique como presidente será entre os dias 19 e 20, quando ele deve visitar Rio, Acre, Ceará e Pernambuco.É Mick Jagger?Turistas curiosos que viam a movimentação de jornalistas brasileiros na entrada do Hotel Plaza, em Nova York, no começo da noite deste sábado, perguntavam quem era a celebridade que estava sendo esperada.Num certo momento, correu a informação de que o roqueiro Mick Jagger é quem estaria chegando. Um bando de hóspedes, na maioria crianças, juntou-se na porta principal do hotel. Mas ao serem informados de que se tratava do presidente brasileiro e indagados se sabiam seu nome, nenhum deles soube dizer quem era o representante do maior país latino-americano.O presidente e sua comitiva entraram por uma porta lateral do hotel. Mas nessa altura os curiosos já se haviam dispersado. Fernando Henrique chegou ao Plaza com a primeira-dama, dona Ruth, as filhas Luciana e Beatriz, três dos seus cinco netos, alguns assessores e um grupo de seguranças.QüiproquóOs deputados federais e senadores que viajaram com ele no mesmo avião da TAM hospedaram-se em outros hotéis. A dispersão da comitiva causou um pequeno qüiproquó na hora do jantar, no restaurante do Hotel Royalton. Meire, esposa do ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que deveria sentar-se à direita de Fernando Henrique, ainda não se havia juntado ao grupo de seis casais que jantariam com o presidente e dona Ruth.A distribuição dos convidados à mesa teve de ser rearranjada às pressas, enquanto todos aguardavam em pé ao lado do bar do hotel. A escolha do restaurante do Royalton ? que é contíguo ao lounge do hotel, um dos mais agitados da noite nova-iorquina ? foi feita pelo cônsul do Brasil na cidade, Júlio César Gomes dos Santos.Normalmente, o ambiente não combinaria com o perfil dos casais reunidos no jantar. O cônsul explicou que tentou fazer reservas no Gramercy Tavern, restaurante de clientela mais formal. Mas o estabelecimento só aceita reservas para grupos de, no máximo, oito pessoas.Nouvelle cuisineNo menu nouvelle cuisine preparado pelo chef Damon Gordon havia alguns sabores brasileiros, como o carneiro ao molho de açaí, o bolo de queijo com cupuaçu e uma mousse de goiaba. O preço fixo da refeição, com entrada, prato principal e sobremesa, é de US$ 55, mas, segundo os garçons, a conta média por pessoa depois de um copo de vinho fica em US$ 68.

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