FHC faz críticas veladas a governadores da oposição

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez, pela primeira vez em solenidade no Palácio do Planalto, críticas a vários governadores e ex-governadores que fazem oposição à sua administração, entre os quais o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), e o de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). Sem citá-los nominalmente, o presidente reclamou da atuação de Olívio Dutra à frente do comando do RS, de Itamar, e de dois ex-governadores: o pré-candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho (Rio de Janeiro), e o presidente nacional do PSB, Miguel Arraes (Pernambuco). A solenidade ganhou contornos eleitorais. Ao final de um longo discurso, Raphael de Almeida Magalhães, integrante do Conselho Coordenador das Ações do governo federal no Rio de Janeiro, pediu abertamente votos para o presidenciável tucano José Serra. "Faço votos de que consigamos eleger seu sucessor na pessoa do ministro José Serra", disse Magalhães. Os primeiros ataques foram para Olívio Dutra, do partido do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao falar sobre os procedimentos adotados pelos governos federal e estadual para atrair empresas, o presidente culpou Olívio Dutra pelo fato de a Ford não ter instalado uma de suas unidades no Rio Grande do Sul. "No Rio Grande do Sul concentramos esforços para retomar o Porto de Rio Grande, fazer estradas, dotar de base energética e atrair indústrias para o RS. O governador Brito foi parceiro muito ativo no meu primeiro mandato", disse. "Só não existe um pólo ainda maior porque houve um certo desaguisado (conflito) no início do governo do Rio Grande do Sul, que não entendeu a importância de concentrar, além de General Motors, a Ford", prosseguiu o presidente, ao se referir às dificuldades impostas pelo petista para a concessão de incentivos fiscais à montadora. Em seguida, foi a vez de o ex-governador Miguel Arraes receber críticas. Fernando Henrique afirmou que teve dificuldades, em seu primeiro mandato, de relacionar-se com Arraes, insinuando, logo após, que isso prejudicou Pernambuco. "Confesso que gostaria de ter visto Pernambuco com muito mais apoio. Nos últimos anos, até que foi possível, mas no primeiro mandato, havia muita dificuldade no relacionamento com a administração local", afirmou, aproveitando para fazer um elogio velado ao governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB). Fernando Henrique reservou ainda críticas a seus adversários Itamar Franco e Anthony Garotinho. Para o presidente, os constantes conflitos com o governador mineiro o impediram de ajudar Minas Gerais na produção de energia elétrica. "No caso de Minas Gerais, não tive muita possibilidade de parceria. Tentei. Não tive muita possibilidade. Isso, suponho, que não prejudicou o Estado, porque Minas tem energia própria. Funcionou. Mas podíamos ter dado um impulso maior a Minas Gerais", declarou, arrancando risos dos convidados. O presidente reservou um momento especial do discurso para falar de seu empenho para revitalizar o Rio de Janeiro. Lembrou que, logo no início de seu primeiro mandato, prometeu que o Estado seria o "farol" do Brasil. Nesse contexto, disse esperar que Anthony Garotinho tenha aplicado bem os recursos antecipados dos royalties do petróleo. "Hoje, o Rio é um Estado não apenas bonito. Na questão da Petrobrás, a transformação foi imensa. Com esta vantagem adicional, que rendeu recursos para o governo do Rio de Janeiro. Não sei se os aplicou bem. Vamos ver agora. O futuro dirá."

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