FHC fala sobre o bem e o mal e lembra o candomblé

Em discurso feito hoje no início da tarde, durante a entrega da Ordem do Mérito Cultural, no Palácio do Planalto, o presidente Fernando Henrique Cardoso criticou o momento maniqueísta vivido no mundo. "No momento em que se tem uma postura de que existe um lado bom e um lado mau, impede-se que os dois lados coexistam. "Não podemos nos autoconsiderar bons expulsando os demais que consideramos maus", disse o presidente. Fernando Henrique lembrou que no candomblé o bem tem uma ascendência, mas jamais vence definitivamente o mal. "Devemos ser mais humildes e aprender a tomar emprestado esses conceitos do candomblé. Não dá para ser intolerante. Existe o bem e o mal, mas não podemos nos arvorar o direito de apontar o que é o bem e o mal", afirmou. Ele disse também que o Brasil vive o paradoxo de ser um país culturalmente integrado, mas socialmente injusto e até mesmo excludente. "Eu tenho orgulho de ser presidente de um país negro e mestiço e que aproximar esses grupos no restante da sociedade é uma questão de respeito e cidadania". Fernando Henrique defendeu maior clareza na implantação de políticas afirmativas de combate à desigualdade social e citou como exemplo os programas federais de bolsa-alimentação, que atinge crianças de zero a seis anos; o bolsa-escola, que beneficia 5 milhões de crianças entre sete e 14 anos e que tem como meta, até o final do ano, alcançar 11 milhões de alunos; e o pagamento dos benefícios da Previdência aos idosos, que recebem por meio de cartão magnético, sem intermediários. "Na época em que era candidato falávamos que nosso Estado era de mal-estar social. Estamos mudando isso e fundando as bases de um novo Estado brasileiro", afirmou o presidente.

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