FHC fala em Tasso, ajuda Serra e prejudica Ciro

Os tucanos partidários da candidatura do ministro da Saúde, José Serra (PSDB), a presidente da República não se queixam nem um pouco das últimas avaliações do presidente Fernando Henrique Cardoso, apontando um cenário favorável ao governador cearense Tasso Jereissati (PSDB) na corrida presidencial.Segundo cardeais do PSDB, o presidente acredita mesmo que o cenário de crise energética favorece mais o candidato que está fora do núcleo do poder central."Mas o fato de ele repetir isto agora mostra que ele é amigo do Serra", salienta, satisfeito, um "serrista" do alto tucanato. O grupo mais afinado com a candidatura do ministro Serra avalia que falar em Tasso neste momento faz parte de uma estratégia que tem serventia tripla.A primeira delas é a de mostrar que o Planalto não está fechado com a candidatura de ninguém, o que é bom para evitar oposição interna a Serra, antes da hora.Além disso, o próprio ministro tem revelado seu sentimento de que a situação está realmente difícil para um candidato muito identificado com o governo neste momento."E já que o mar não está para peixe, é bom mesmo que o presidente fale no Tasso, e não no Serra", diz um dos expoentes do grupo. A terceira serventia diz respeito muito mais ao próprio Planalto do que aos "serristas". Neste caso, a avaliação é a de que valorizar a opção Tasso Jereissati neste instante significa trabalhar para o esvaziamento da candidatura do amigo do governador e inimigo do Palácio, Ciro Gomes."Inflar o Tasso agora é dar um tiro no peito do Ciro, que é quem mais vai sentir o movimento estratégico do governo neste momento", resume o serrista. A tese de que será mais fácil emplacar um governador que participa da aliança do que um ministro de Estado na disputa pelo Palácio do Planalto também é defendida pelo presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).O pefelista que trabalha pela candidatura da governadora do Maranhão, Roseane Sarney (PFL), aposta que, bem mais do que um ministro, um governador da aliança terá condições de dar ao eleitorado a garantia de que o próximo governo vai manter as conquistas do atual, consertando suas falhas, para concretizar os avanços sociais reclamados pela população.Ao mesmo tempo, porém, ninguém tem dúvidas de que a conjuntura que hoje fortalece esta tese certamente não será a mesma da eleição. "Há um mês não havia apagão", salienta um colaborador do presidente Fernando Henrique, que prevê não só alterações no cenário econômico, como mudanças no quadro político e partidário até outubro, quando se encerrará o prazo de filiação para os candidatos às eleições gerais de 2001."Hoje, o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT) está no mesmo patamar de antes, enquanto o Ciro (Gomes, do PPS) e o governador Itamar (Franco, do PMDB de Minas) cresceram, mas o quadro está aberto até para nomes que não surgiram até agora", analisa o colaborador do Planalto.

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