FHC fala em acertar os ponteiros da sucessão

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, durante o vôo para a Europa, que "se puder acertar os ponteiros (da sucessão presidencial), melhor", mas destacou que a viagem não é para tratar deste assunto. Ele desembarcou, às 18h30, na capital espanhola (às 22h30 pelo horário local), dando início a uma visita de quatro dias, durante os quais participará da Conferência sobre Transição e Consolidação Democrática, patrocinada pelo Instituto Gorbachev.Na embaixada do Brasil, onde ficará hospedado com a mulher, Ruth, Fernando Henrique parou para falar com jornalistas e, em tom brincalhão, disse que não foi discutido, durante o percurso entre o Brasil e a Espanha, o nome do candidato oficial à sua sucessão, porque "isso se faz em terra firme".Durante o vôo, Fernando Henrique conversou por cerca de duas horas com os presidentes do PSDB, José Aníbal, do PFL, Jorge Bornhausen, e do PMDB, Michel Temer, que o acompanham na viagem, e com secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, e com o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. Os presidentes dos três principais partidos da base aliada do governo também conversaram reservadamente por outras duas horas.Ante a insistência dos repórteres em saberem se durante a visita à Espanha e França essa questão será discutida, o presidente admitiu: "Bom, se puder acertar os ponteiros, melhor. Mas a viagem não é para isso. Nós viemos conversando sobre assuntos gerais e, no momento apropriado, os partidos se juntarão com mais propriedade", disse.Desigualdade e terrorismo"Eles (Aníbal, Bornhausen e Temer) vieram comigo, porque eu os convidei, porque vou à França, onde estarei na Assembléia Nacional Francesa, e é importante que se dê sentido de que há no Brasil um conjunto de apoio ao governo, que vai além do próprio País. Temos que ter posições afirmativas. Primeiro, de repúdio ao terrorismo; segundo, de mostrar, embora não haja relação direta entre desigualdade e terrorismo, que o terrorismo é um mal em si. Na verdade, temos que combater as desigualdades, não perder o elã."O presidente lembrou que foi mantida a reunião de Catar da Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que o Brasil tem que ter participação forte e ativa. "Trazer os presidentes dos partidos para que eles também participem desse momento importante", afirmou.A uma pergunta sobre a sua expectativa em relação à visita à Espanha e França, Fernando Henrique respondeu: "Poderemos discutir com franqueza sobre questões que hoje atormentam o mundo e a democracia", disse.O presidente afirmou que não soube das suspeitas de que correspondências enviadas ao Palácio do Planalto e à Câmara dos Deputados contivessem a bactéria antraz, mas alertou: "Isso não é brincadeira. Isso ajuda a criar um clima. No Brasil, (esse clima) não se justifica de maneira alguma. Temos que reagir com energia a qualquer tentativa de espalhar uma preocupação sem base."

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