FHC explora tema social durante aula-magna

O tema social foi explorado exaustivamente por FHC durante sua aula-magna na Universidade do Chile, ondelecionou nos anos 60 e onde inaugurou nesta terça-feira uma cátedra de estudos brasileiros em homenagem a seu ex-assessor especial, Vilmar Farias, falecido no ano passado. Durante sua exposição, o presidente afirmou que o Brasil nunca contou com um "Estado de bem-estar em sua história"."O Brasil só teve Estado de mal-estar social. Mas as coisasmelhoraram nos últimos anos, apesar de ainda haver resquícios do passado", afirmou.FHC enfatizou sua gestão na área social e despejou indicadores e porcentuais para os alunos e professores presentes para demonstrar que os níveis de pobreza foram reduzidos no País, apesar de não ter diminuído o coeficiente que mede a concentração de renda - um dos mais graves do mundo.Destacou particularmente as políticas públicas adotadas nosseus dois mandatos para as áreas de educação, de saúde e deacesso à terra, bem como o controle da inflação, comodeterminantes na redução da proporção de pobres no Brasil.Concluiu, em seguida, que o Brasil vive um período de"profundas transformações sociais".FHC declarou que as ações do governo na área de educaçãopermitiram o acesso de 93% das crianças pobres às escolas. Em 1990, afirmou, esse porcentual era de 75%. Argumentou ainda que em 1931, quando nasceu, havia mais analfabetos no País que pessoas aptas a ler e a escrever."É uma revolução", afirmou. "Depois de saber ler e escrever essas pessoas querem saber mais. Isso aumenta a açãodemocrática".O presidente explicou ainda que, enquanto os indicadoreseconômicos evoluíram em "zigue-zague" durante suaadministração - ou seja, com períodos de crescimento e de queda -, as taxas sociais se mantiveram estáveis, com tendência positiva.Conforme argumentou, o salário mínimo aumentou 27%, em termos reais, desde 1994 - apesar de não ter alcançado o equivalente a US$ 100, uma de suas promessas de campanha.CasaO presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu, nofinal da tarde desta terça-feira, escapar da agenda oficial de sua visita de Estado ao Chile e dar uma rápida passada pelas duas casas onde viveu em Santiago, no final dos anos 60. Acompanhado por dona Ruth Cardoso, FHC seguiu com sua comitiva para Vitacura, um bairro de classe média alta da capital chilena, logo depois de participar da inauguração do novo prédio da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso), onde trabalhou na época de autoexílio no país.Logo que chegou na casa da rua Lasñipas número 4.151, FHC desceu do carro e posou para os fotógrafos brasileiros, que o esperavam. Em seguida, chamou dona Ruth. Quando entrava no carro para voltar à embaixada do Brasil, a filha do proprietário da casa, Alejandra Lecaros, veio convidá-lo para entrar."Não quero incomodar", afirmou FHC, que retornou ao carro e orientou o motorista a levá-lo à Luis Carreiras, onde também alugou uma casa durante seu período no Chile. Desta vez, o presidente apenas olhou a residência, onde hoje funciona um salão de beleza, e preferiu não sair do Lincoln usado para seu transporte.A visita inesperada de FHC, entretanto, causou algunstranstornos aos demais moradores. Ao saber que o presidente do Brasil posaria para fotos diante de sua casa, o proprietário, Guillermo Fuentes, mostrou-seindignado. "Morou há 30 anos na casa. O que vem fazer aqui?", declarou, fechando a porta.FHC e dona Ruth viveram no Chile entre 1965 e 1967, nosprimeiros anos do governo militar no Brasil, em um autoexílio político. Nesse período, trabalhou também na Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e deu aulas na Universidade do Chile. Também foi nessa época que FHC manteve seus primeiros contatos com o atual presidente chileno, Ricardo Lagos. Na frente da casa do presidente moravam os sogros de Lagos, a quem a família Cardoso recorria quando precisava usar um telefone.Em discurso no Congresso Nacional e na Universidade do Chile, O presidente ressaltou que vários de seus colaboradores igualmente moraram no país na época do governo militar, como o candidato tucano à sua sucessão e seu ex-ministro da Saúde, José Serra. Também mencionou seus ministros Paulo Renato Sousa, da Educação, e Francisco Weffort, da Cultura, o líder do PSDB noSenado, Artur da Távola, e o seu ex-assessor especial, Vilmar Farias, falecido no ano passado.

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