FHC está otimista sobre reforma tributária

A reforma tributária poderá ser realizada ainda este ano. Foi o que disse hoje o presidente Fernando Henrique Cardoso, durante entrevista exclusiva concedida à Rádio Eldorado AM/FM, na inauguração da programação da emissora. Ele, no entanto, considerou que já houve parte de uma reforma tributária e lembrou a criação do Simples, imposto que, segundo o presidente, é pago por 90% das empresas e incide em forma de "cascata" sobre o faturamento.Para FHC, somente as grandes empresas não preferem que o imposto seja em "cascata", mas ele destacou que entende as razões, mas que o governo não desistiu da reforma. "Nós vamos tentar ainda este ano e no Congresso está praticamente feito para que isso ocorra. Mas estou lhe dizendo que a idéia de um imposto em cascata como se fosse um mal em si, é um mal escolhido por 95% dos empresários. Então vamos atender os outros 5% dos empresários", se comprometeu.O mais difícil de ser aprovado, segundo ele, é o ICMS, que é bastante discutível. Em alguns Estados o ICMS cobrado da gasolina chega a 30%, como no Rio de Janeiro. "Esse (imposto) depende de uma lei que está no Senado, o governo já mandou, mas eu não consigo sensibilizar ninguém, nem empresários, nem governadores, nem políticos, para esta lei que está lá. É uma coisa simples, olha aqui, o imposto do ICMS tem que ser regulado pelo Senado, ele tem uma faixa de variação um pouco para cima, um pouco para baixo; é o único no Brasil todo e já daria uma simplificação enorme, e não se vota", reclamou.De acordo com o presidente, trata-se, na verdade, de uma questão de poder já que o imposto vai diretamente para os Estados que não querem, segundo ele, "abrir mão de parcelas de poder e da guerra fiscal". O presidente considera que há interesses "entranhados" na reforma tributária e, por isso, o governo não consegue realizá-la. "Eu ainda estou confiante que o Cofins e o PIS, agora, neste semestre, nós vamos conseguir fazer sobre o valor agregado atendendo, assim, o interesse destas grandes empresas", previu."Birra" política do PFLO presidente reclamou da resistência que o governo enfrenta no Congresso Nacional para votações sobre alguns temas, como a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "No Congresso, existem resistências organizadas. No caso da CPMF é uma resistência política. Eu, francamente, não entendo qual é o propósito por que quem está perdendo é o Brasil", protestou.Ele disse que o governo está sem dinheiro por causa de uma "birra" política do PFL e, com isso, a CPMF não foi votada. Fernando Henrique espera que o projeto agora seja votado no Senado."Lula sempre saiu decolado e nunca aterrissou"Fernando Henrique analisou também a questão da candidatura do ex-ministro José Serra à Presidência da República. Perguntado sobre as razões pelas quais o candidato do PSDB ainda não decolou, ele disse que isso é natural nos momentos de definição eleitoral e aproveitou a oportunidade para ironizar a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva. "Isso de decolar ou não decolar é natural. Há um candidato que sempre decolou aqui que foi o Lula. Ele saiu sempre decolado e nunca aterrissou. Levantar vôo não é fácil. Eu, se fosse o candidato, e eu fui tantas vezes, não tem que olhar se decolou ou não decolou, tem que falar com o País. Ganha a eleição quem falar com o País e conseguir entusiasmar o País. O restante é conversa fiada. Sabe a melhor forma de falar com o País? É essa aqui, a do rádio".

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