FHC espera economia voluntária de energia

O presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou na noite desta terça-feira, em cadeia nacional de rádio e televisão, o fim do racionamento de energia elétrica a partir de 1º de março. Afirmou que o Brasil sairá do "racionamento obrigatório para a economia voluntária". Segundo o presidente, o governo acredita que, mesmo com o fim do racionamento, a população não voltará a gastar energia como antes. "Tenho certeza de que não veremos sinais de esbanjamento de energia", observou o ele no discurso, gravado pela manhã. Fernando Henrique recordou que, no início da crise, só se falava em apagão, observando que, graças ao esforço da população, isso não aconteceu. Apresentou ainda dados sobre os níveis dos reservatórios que abastecem as hidrelétricas, informando que eles já ultrapassaram o limite mínimo de segurança. "Mas não estamos melhor apenas porque choveu. A ajuda do nosso povo foi fundamental", disse.FHC falou também sobre as medidas tomadas pela Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), especialmente para aumentar a oferta de energia. Adiantou que, entre 2002 e 2004, a capacidade de geração de energia elétrica do País será aumentada em cerca de 20 mil MW de energia. O presidente chamou atenção para os mecanismos que foram criados para alertar o governo sobre as possibilidades de problemas futuros. Fernando Henrique observou dispor de uma pesquisa indicando que 80% das pessoas pretendem manter a economia de energia iniciada no período de racionamento. "Refleti muito sobre o tema e me perguntei: se o povo se dispõe a manter voluntariamente a economia de energia, por que deveria o governo obrigá-lo a fazer isso?", disse. Segundo Fernando Henrique, o episódio do racionamento mostrou que "a transparência, a confiança no povo e a coragem de enfrentar os problemas" sempre foram instrumentos de ação política do governo, lembrando o combate à inflação, a superação de crises financeiras e a criação da mentalidade da responsabilidade fiscal.

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