FHC entrega medalhas e faz discurso conciliador

Duas semanas após ter criticado o Congresso, que está acuado pelo escândalo da violação do painel de votação do Senado, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez um afago ao Legislativo destacando sua importância na construção dos avanços promovidos no País. "Sempre é preciso ter presente que essas reivindicações só avançam de maneira eficaz quando, efetivamente, temos o Congresso Nacional envolvido na discussão", comentou. Apesar do discurso conciliador, o presidente fez uma crítica velada ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e aos que defendem a instalação da CPI da Corrupção. "As atitudes de intemperança, as atitudes que parecem que são fortes, que resolvem tudo, que não negociam, que não tem medo de nada, podem levar muitas vezes a precipitações."A crítica do presidente ao Congresso, em que disse que o escândalo do painel tirava do Legislativo as condições de investigar o Executivo, foi mal recebida tanto por políticos aliados quanto por lideranças da oposição. Na avaliação do Planalto, as brigas de ACM com o atual presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), são o pano de fundo que agora tornaram viável a instalação da chamada CPI da Corrupção.CUT - A defesa da ação legitimadora do Congresso foi feita durante cerimônia de entrega de medalhas da Ordem do Mérito do Trabalho a sindicalistas e a presidentes de entidades patronais. O presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores, João Antônio Felício, incluído entre os agraciados, não compareceu à solenidade de ontem e cadeira reservada a ele ficou vazia.Desde sexta-feira, por meio de nota oficial, o presidente da CUT já havia avisado ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, que não compareceria à homenagem. Entre os motivos alegados estavam a discordância com o acordo fechado com outras centrais sindicais para o pagamento dos expurgos inflacionários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) devido aos trabalhadores.Desemprego - O presidente aproveitou a presença de sindicalistas e empresários para comemorar a redução nas taxas de desemprego no País. Ele lembrou que durante sua campanha para reeleição relutou muito em aceitar o slogan: "Quem derrubou a inflação vai ajudar a derrubar o desemprego". Segundo o presidente, era um momento de grande tensão internacional e o desafio de derrubar o desemprego era grande.Depois de citar a queda do desemprego na França, de 13% para 9%, Fernando Henrique afirmou que o índice histórico brasileiro - de uma taxa entre 4% e 5% - já estava sendo alcançado no Rio de Janeiro (4,5%). Segundo ele, a taxa de desemprego média no País - de 6,5% - ainda não deixa o governo satisfeito, mas já permite que ele se sinta "confortável" por ter usado aquele slogan durante sua campanha para reeleiçãoSalário Mínimo - Fernando Henrique fez questão de ressaltar que ligou ontem para o governador petista do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, para tratar de problemas com a aftosa no Estado e aproveitou para parabenizá-lo pela decisão de conceder no Estado um piso salarial de R$ 230. "Este é o caminho: não há porque ficar atrelado ao déficit da Previdência", disse o presidente. Segundo Fernando Henrique, é "hipócrita" cobrar que no governo dê um aumento maior ao salário mínimo.O presidente também lembrou que durante sua participação na reunião da III Cúpula das Américas, em Quebec, defendeu "sem temor, mas sem basófia" a posição brasileira de que o meio ambiente e as cláusulas trabalhistas não podem ser utilizados para impor barreiras indevidas e injustificáveis na comercialização dos nossos produtos.

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