FHC elogia novo prédio do MP, inaugurado em Brasília

O presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou, nesta quinta-feira, durante inauguração do novo prédio do Ministério Público em Brasília, a arquitetura dos edifícios e a independência da Procuradoria Geral da República. Fernando Henrique disse que a idéia de um Ministério Público independente foi executada a partir de 1988, com a Constituição. "Ministério Público independente, separado da Advocacia Geral da União, que também se organiza de tal maneira que possa haver o contraditório e que olhe as leis sob a visão do Estado e não do Governo", disse ele. Sem se referir à polêmica que envolve a construção do novo prédio do Ministério Público, que custou R$ 75 milhões, o presidente demonstrou bom humor durante a cerimônia, da qual participaram ministros do Supremo Tribunal Federal, parlamentares e o advogado-geral da União, Bonifácio de Andrada. O presidente comentou que tinha inveja do prédio e insinuou ter o mesmo sentimento em relação à sala do chanceler Celso Lafer, que segundo ele, é a mais bonita de Brasília. Em tom poético, Fernando Henrique falou da arquitetura de Brasília, dizendo que a forma lembra as construções do povo asteca, concentrando os prédios do poder numa mesma área, mas as cores se parecem com a Grécia, pois há muito branco. "Brasília muito grega não é o Brasil. Nós somos mulatos. É melhor confundir (as cores) mais", disse o presidente. O Ministério Público foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.SuspeitasO novo prédio do Ministério Público foi inaugurado pelo procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro. Enquanto aguardavam a chegada de Fernando Henrique, que atrasou 20 minutos, autoridades presentes à cerimônia comentavam que o complexo de cinco prédios da Procuradoria Geral da República "é um dos mais bonitos de Brasília". Os edifícios são espelhados e têm formas arredondadas.Nem o custo da obra, divulgado em R$ 75 milhões pela assessoria de imprensa do MP, assustava. "Pelo menos os prédios estão aí", comentou uma convidada, referindo-se a supostos milhões de reais desviados de outras obras públicas.Apesar de o prédio ser uma realidade, ele não está livre de apurações. Uma comissão de procuradores analisa basicamente duas suspeitas. A primeira delas refere-se a um suposto superfaturamento da obra. A outra, a uma acusação do arquiteto Carlos Magalhães de que houve fraude na construção. Magalhães representa em Brasília o escritório do renomado arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou a nova sede da Procuradoria e os principais prédios públicos de Brasília.Um dos procuradores responsáveis pela análise dos dados, Osvaldo Barbosa, disse hoje que não encontrou superfaturamento na obra. Para justificar essa posição, ele contou que o próprio Niemeyer orçou a obra em R$ 81 milhões, valor superior ao que de fato foi gasto com a construção.Mas essa opinião não é compartilhada por outro procurador que analisa a obra. Sem especificar, o procurador Luiz Francisco de Souza considera que a construção "está cheia de ilicitudes" e disse que deve sugerir o envio à Justiça de uma ação de improbidade administrativa contra Brindeiro e outras pessoas. Segundo ele, os procuradores que analisam a obra devem se reunir dentro de 15 dias para chegar à uma conclusão.

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