FHC é vaiado por servidores da Justiça

O presidente Fernando Henrique Cardoso foi vaiado ao subir a rampa do Palácio do Planalto, após cerimônia de troca da guarda presidencial. Com bandeiras e apitos, cerca de 200 servidores do Judiciário federal, em greve há 21 dias, reivindicaram a adoção imediata do plano de cargos e salários da categoria. O presidente tentou não demonstrar preocupação com o episódio e cumpriu o ritual inteiro da cerimônia, de subida e descida da rampa do Planalto, sempre com um largo sorriso.De terno e gravata, ele acompanhou a solenidade do alto da rampa. Ao som de marchas militares, soldados do 1.º Regimento de Cavalaria de Guarda, mais conhecidos como Dragões da Independência, deram lugar ao Batalhão da Guarda Presidencial. A troca ocorre a cada seis meses.Enquanto isso, do outro lado da Praça dos Três Poderes, os servidores do Judiciário organizavam protesto na frente do Supremo Tribunal Federal. Mas, ao ver Fernando Henrique, parte deles atravessou a praça e ficou diante do palácio. A movimentação provocou corre-corre na segurança e apreensão entre auxiliares do presidente, que acompanhavam o deslocamento das janelas do salão nobre. Após rápida troca de palavras com o chefe da segurança, Fernando Henrique decidiu manter o ritual de descida da rampa. Fazendo questão de demonstrar bom humor e sempre sorrindo, ele cumprimentou estudantes de uma escola de Brasília levados ao local pelo cerimonial da Presidência.Nesse momento, os manifestantes apitavam e gritavam a sigla "PCS", numa referência ao plano de cargos e salários. As vaias só começaram quando Fernando Henrique deu as costas ao público e subiu a rampa. O som da banda não abafava a manifestação. Ao regressar ao salão principal do Planalto, ainda sob as vaias e o apitaço dos grevistas, o presidente evitou dar entrevistas e não comentou o protesto. "Servidores na rua, governo, a culpa é sua", gritaram os manifestantes em coro, quando Fernando Henrique já havia entrado no palácio. Eles reivindicam a reestruturação das carreiras, com reajuste salarial entre 30% e 100%, segundo o coordenador de Administração e Finanças do Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e Ministério Público da União, Berilo José Leão Neto.O sindicalista disse que os reajustes significarão um acréscimo anual de R$ 2,63 bilhões na folha de pagamento dos servidores - R$ 2,45 bilhões para os 100 mil servidores do Judiciário e R$ 213 milhões para os 7 mil do Ministério Público. "Não sabíamos que o presidente apareceria", comentou Leão Neto. Os manifestantes levaram um bolo até o frente do Supremo para comemorar os 12 anos de existência do sindicato.O Batalhão da Guarda Presidencial fará, nos próximos seis meses, a vigilância dos Palácios do Planalto, da Alvorada, onde mora o presidente, do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Marco Maciel e da Granja do Torto.

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