FHC: 'É perigosa tentativa de controlar mídia'

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje, em São Paulo, considerar sempre perigosa qualquer tipo de tentativa de controlar a mídia, até mesmo uma espécie de controle social. De acordo com FHC, qualquer intenção nesse sentido dá a entender que se quer exercer o poder sobre a imprensa. "É sempre perigoso, o melhor controle é sempre a diversidade", afirmou, no Seminário Cultura/Liberdade de Imprensa, promovido pela TV Cultura.

GUSTAVO URIBE E JARI STANGLER, Agência Estado

26 de novembro de 2010 | 12h41

Ontem, no mesmo congresso, o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, declarou-se "inteiramente contra a expressão ''controle social da mídia''". Hoje, FHC defendeu o debate sobre a criação de uma agência para regular as concessões de rádio e televisão, mas se posicionou contra qualquer tipo de instância que proponha o controle do conteúdo produzido pelos meios de comunicação social.

"Quando se fala em se fazer uma agência reguladora, já se pergunta: vai se regular o quê? Conteúdo?", questionou. Segundo FHC, não se pode confundir a criação de uma agência que regule o modo de fazer concessão com um órgão que submeta o conteúdo a um domínio. "Qualquer tipo de controle político é perigoso", alertou. "Imprensa boa é imprensa livre e diversificada", reiterou.

O ex-presidente disse ser pertinente no atual momento discutir a quebra do monopólio da informação, que, conforme ele, é tanto privado como estatal. FHC destacou que no Brasil hoje existe uma única voz e não há tradição do contraponto. "Qualquer pessoa que tem experiência em outros países sabe que sempre tem um ponto e um contraponto." O tucano citou como exemplo a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Outro dia perguntaram o que eu achava da alta popularidade do presidente Lula. Ela é merecida. Mas acredito no fato de que nas informações aqui do Brasil o que aparece são: violência, esporte e Lula".

Governo

FHC criticou também a maneira como alguns governos da América Latina lidam com a imprensa, dando como exemplo a Venezuela. Para o ex-presidente, assiste-se, atualmente, a um esvaziamento da liberdade de opinião na região. Perguntado, FHC criticou o cerco feito pelo governo da Argentina ao Grupo Clarín. "Eu acho trágico que um país como a Argentina tenha essas recaídas autoritárias", afirmou. "Pelo amor de Deus, deixe a imprensa em paz", completou. O ex-presidente ressaltou que o ideal é que os governos e a sociedade se habituem à natureza do jornalismo, que, segundo ele, é também fazer crítica.

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