FHC: é impossível separar social e econômico

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em seu discurso durante a posse do novo ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que é uma simplificação a tentativa de discutir a globalização com a "separação estanque entre o enfoque econômico e o social, entre Davos e Porto Alegre". Argumentou que "o econômico sem o social é desumano, e o social sem o econômico é mera veleidade, voluntarismo inócuo". Ele disse que o Brasil tem credenciais para colaborar, nos fóruns internacionais, com a construção de instituições que se aproximem da Federação democrática mundial das nações, defendida recentemente pelo deputado petista Eduardo Jorge, atual secretário de Saúde da capital paulista. Ao invés de enveredar em uma discussão ideológica sobre a globalização, segundo o presidente, o Brasil deve lutar para que a globalização auxilie na distribuição de renda, de oportunidades e na criação de empregos, na busca de maior justiça social. Neste processo, o Brasil deve lutar para compartilhar o avanço tecnológico e para criar mecanismos mais eficazes de "governance" no sistema financeiro internacional."Cabe-nos consolidar uma agenda madura de cooperação e diálogo com os principais parceiros do Brasil no mundo - sem pirotecnia, como costuma dizer o ministro Lampreia, mas com firmeza na defesa de nossos interesses", afirmou. Ele comentou ainda que o Itamaraty deverá aprofundar suas ações de assistência aos brasileiros no exterior e o trabalho de promoção comercial, que deverá ser intensificado com a reestruturação institucional que está sendo feita nesta área. O presidente elogiou o trabalho do chanceler Luiz Felipe Lampreia, que deixou o cargo hoje, dizendo que "não faltaram nunca ao ministro Lampreia a lucidez e a disposição para falar forte defendendo os interesses do Brasil?. Segundo Fernando Henrique, o novo chanceler, Celso Lafer, encontrará "uma política externa afinada com os problemas de nosso País e de nosso tempo".

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