FHC e equipe política avaliam renúncia de ACM

O presidente Fernando Henrique Cardoso deve reunir hoje no final da tarde a equipe de coordenação política do governo para avaliar os possíveis desdobramentos da renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), anunciada para a próxima quarta-feira. O Palácio do Planalto quer tentar reduzir os efeitos dos ataques que ACM provavelmente fará ao governo. O receio do presidente é de que o "trombone" do senador baiano possa "ressuscitar" a CPI da Corrupção - enterrada com a ajuda do próprio ACM, que esperava, como reciprocidade, contar com o apoio do presidente para escapar da cassação do mandato.Às voltas com a crise de energia elétrica e com a repercussão negativa da operação montada para evitar a instalação da CPI, o presidente não quer acumular mais desgastes, além dos que já abalaram sua popularidade - como deve demonstrar a pesquisa CNT/Sensus a ser divulgada amanhã. Mas a oposição deve insistir na CPI e prepara uma série de manifestações populares, que devem culminar com um ato público em Brasília no final de junho.A dificuldade dos oposicionistas, no entanto, é encontrar um discurso unificado para essas manifestações. Com interesses político-eleitorais diversos, os líderes dos partidos de oposição tentam chegar a um denominador comum amanhã, na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em uma reunião com representantes de entidades da sociedade civil. VotaçõesUltrapassado o episódio da violação do painel eletrônico do Senado, o governo espera conseguir encerrar o semestre sem novos problemas. O Palácio do Planalto se daria por satisfeito se o Congresso entrasse em recesso tendo votado ao menos o projeto que regulamenta o parcelamento da reposição das perdas que as contas do FGTS tiveram com os planos econômicos Verão e Collor I, que está na ordem do dia do plenário da Câmara; as autorizações para operações de crédito externas (com destaque para a de US$ 757 milhões com o Banco Mundial), que estão pendentes no Senado; e a Lei de Diretrizes Orçamentárias, cujo projeto do governo está em início de tramitação na Comissão Mista de Orçamento.O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), até que gostaria de votar outras matérias, mas o calendário político de apenas mais quatro semanas até julho - já que há um feriado à vista - indicam que o Congresso permanecerá em marcha lenta, mesmo depois da renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Amanhã, o colégio de líderes da Câmara deve se reunir para agendar a pauta das próximas semanas. Com a retirada das urgências constitucionais que trancariam a pauta até o final do semestre, abre-se a possibilidade de a Câmara votar a proposta de emenda constitucional que restringe a edição de medidas provisórias. A votação dessa PEC foi bandeira de campanha na eleição para a Presidência da Câmara e o vencedor, Aécio Neves (PSDB-MG), não quer atravessar o primeiro semestre de sua gestão sem cumprir a promessa. Mas, a essa altura, tanto governo como oposição gostariam de ver essa matéria de volta à gaveta da Câmara.

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