FHC e Congresso discutem apoio aos EUA

O presidente Fernando Henrique Cardoso convocou para amanhã uma reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, e com os líderes de todos partidos no Congresso, para fazer uma avaliação sobre as repercussões no País dos ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos e discutir qual poderá ser a posição brasileira em caso de retaliação. "A solidariedade brasileira depende da decisão (que tipo de retaliação os americanos definirão). Decisões sensatas permitem solidariedade, mas outras, não", avisou o presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), depois de receber o ministro da Defesa, Geraldo Quintão.O encontro de amanhã será um prolongamento da reunião do Conselho de Defesa Nacional, convocado na terça-feira por Fernando Henrique, quando estavam presentes os presidentes das duas casas do Congresso. A oposição já confirmou presença na reunião. "O que está em jogo é o País. Por isso, vamos ouvir o que o presidente tem a nos dizer e aproveitaremos para expor as nossas preocupações", afirmou o líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ).O deputado Aécio Neves salientou que esta iniciativa do presidente, de discutir esse problema grave e inusitado com os parlamentares, inclusive os da oposição, mostra que Fernando Henrique quer transparência na gestão dessa questão, e que ele não tomará nenhuma posição sem ouvir o Congresso.O presidente em exercício do Senado, Édison Lobão (PFL-MA), por sua vez, que também se reuniu com Quintão, avisou que "nenhum país estará submetido a algum outro, ou alinhado, automaticamente". Na opinião dele, cada um vai defender seus próprios interesses, embora todos estejam contra o terrorismo internacional.MilitaresNa área militar, a posição é semelhante aos primeiros sinais dados pelo Congresso. Isso significa dizer que o Brasil está consternado com o que aconteceu, se solidariza com os Estados Unidos, mas que não dará apoio incondicional a qualquer decisão americana. Os militares sempre lembram a atitude arrogante dos americanos em relação aos demais países, e que a atitude de considerar os demais sempre menores será lembrada neste momento.O ministro Geraldo Quintão classificou como "terrorismo" e "psicose" ilações que começaram a ser feitas no Congresso, de que se o Brasil assinar o acordo com os Estados Unidos para lançamento de foguetes a partir da Base de Alcântara poderia se tornar um alvo."Isso aí é psicose e não há necessidade de levar o assunto para este lado", desabafou o ministro, depois de ressaltar que esse episódio em Washington e Nova York serviu para mostrar que os americanos têm razão de se preocuparem com o terrorismo.Na opinião do ministro, o ataque não vai atrapalhar a assinatura do acordo entre os dois países. "Ao contrário", comentou ele, depois de lembrar que o centro de lançamento poderá ser usado também pelos russos e croatas, com a assinatura de acordos semelhantes. "O que eu disse é que os Estados Unidos têm razão da sua preocupação com terrorismo, e de inserirem cláusulas que demonstrem essa preocupação".

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