FHC e Bornhausen apóiam decisão de barrar acordo

Para ex-presidente, eventual apoio à contribuição faria PSDB perder aliado histórico e discurso oposicionista

Expedito Filho e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A decisão da bancada do PSDB no Senado de não fechar acordo com o Planalto para votar a favor da emenda que prorroga a CPMF dividiu os principais dirigentes do partido e levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-presidente do DEM e ex-senador Jorge Bornhausen a retomarem o comando da oposição.Apesar da resistência dos governadores tucanos José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas, que preferem negociar a prorrogação do imposto do cheque, Fernando Henrique e Bornhausen afinaram o discurso e acertaram que o PSDB não deixaria o DEM sozinho na oposição ao governo Lula.Na terça-feira, menos de quatro horas depois de ter saído do gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, onde esteve com outros integrantes da cúpula tucana para comunicar o fim das negociações, o senador Sérgio Guerra (PE), futuro presidente do PSDB, recebeu cumprimentos entusiasmados do ex-presidente pelo telefone. Na conversa, FHC disse que seria um erro estratégico a aproximação dos tucanos com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Para ele, nesse jogo político apenas o PT ganharia. E o PSDB perderia não só o discurso oposicionista como um aliado histórico, que é o DEM, antigo PFL.Durante a conversa, Sérgio Guerra e Fernando Henrique passaram em revista as necessidades de caixa do governo Lula. Também avaliaram o papel que a CPMF, se prorrogada até 2011, teria na construção do discurso petista para as eleições presidenciais de 2010.Do ponto de vista fiscal, o ex-presidente não vê nenhum risco para a governabilidade numa eventual rejeição da CPMF. Além disso, ele desconfia que o excesso de dinheiro em caixa proporcionado pela manutenção do imposto pode levar o PT a aumentar sua capacidade de gastos em obras e projetos eleitoreiros, esmagando a oposição. "Esse Fernando Henrique sabe ver o jogo", disse Sérgio Guerra a dois interlocutores tão logo desligou o celular.A radicalização do discurso da oposição pode estar correta do ponto de vista estratégico, mas do ponto de vista tático cria dificuldades para os governos de Serra e Aécio. Levantamento divulgado por Mantega na quarta-feira mostra que sem os repasses da CPMF o Estado de São Paulo sofreria perdas de mais de R$ 3,77 bilhões e Minas Gerais, de R$ 1,61 bilhão.Para Serra, foi um erro tático não insistir nas negociações com o Planalto, conforme comentou um líder tucano. Um parlamentar que participou da reunião com Mantega disse que ela "causou um pequeno constrangimento" à bancada, "mas já está resolvido".Para esvaziar a influência de FHC sobre Bornhausen, o Planalto joga com o convite para que o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), vá conversar com Lula sobre uma eventual retomada das negociações. "Não há razão nem possibilidade de voltar a falar em negociação. O governo agora tem de cuidar da maioria que já tem, sob o risco de perder até apoio de sua base", avaliou Guerra.

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