FHC diz que sempre quis diálogo com a oposição

O presidente Fernando Henrique Cardoso pediu hoje a união entre o governo federal e os opositores para o Brasil superar a crise energética. Fernando Henrique afirmou que não dialoga com a oposição porque ela não quer. "Fico o tempo todo pedindo o diálogo", disse.Ele espera que os adversários hajam como o governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT. "O governador tem sua posição e é absolutamente íntegro", avaliou. "Não precisa mudar de ponto de vista para ter meu apoio; é uma relação de absoluto respeito mútuo."No discurso, feito durante a inauguração da termelétrica William Arjona, o presidente disse que o mais importante para o atual momento do País é a consciência cívica e que todos tenham atitudes responsáveis. "Isso significa que certas questões devem ultrapassar o sectarismo político", afirmou.Para Fernando Henrique, o povo cansou de ver um trabalho permanente de destruição recíproca entre governo e oposição. "Não faço alusões porque não são necessárias", disse. "No final, saem esfrangalhados aqueles que não têm atitudes que não são construtivas e não colocam a primeiro lugar os problemas do País".O presidente afirmou que o apagão será evitado, principalmente, em função do empenho dos brasileiros em racionar a energia. Ao elogiar a atitude da população, Fernando Henrique criticou, indiretamente, um dos principais adversários dele: o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB). "É um povo que tem consciência, mesmo quando alguns setores políticos se pronunciam, preciptadamente, dizendo que não precisa de racionamento."Para atacar o governador mineiro, o presidente poupou até o PT. "Não me referi aos companheiros do Zeca porque não foram eles", assinalou. Fernando Henrique disse não crer que aqueles que fazem o discurso único do pessimismo possam vencer.Ao comentar que, na quarta-feira, anunciará o programa emergencial de aumento de oferta de energia elétrica, o presidente reafirmou que o País irá superar a crise e sairá dela com a economia mais fortalecida. "É porque temos todas as condições de avançar nos ajustes que estão sendo feitos" disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.