FHC diz que saída de Erenice não encerra escândalo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje (16) que a saída de Erenice Guerra do cargo de ministra-chefe da Casa Civil não encerra o escândalo envolvendo o núcleo de poder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "É um detalhe. Nada será suficiente. É preciso recuperar a dignidade", disse Fernando Henrique. "Como brasileiro, fico triste de ver tantos acontecimentos negativos. É a repetição deles."

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

16 de setembro de 2010 | 21h54

FHC disse que o episódio demonstra que não houve amadurecimento político suficiente dos integrantes do governo, referindo-se ao escândalo do mensalão, que acabou provocando, em 2005, a saída do então ministro José Dirceu da Casa Civil. Dirceu foi sucedido na pasta por Dilma Rousseff, a candidata do PT a presidente que deixou em seu lugar no governo Erenice Guerra.

"Não me alegra, estou muito triste", comentou FHC sobre a saída de Erenice, em rápida entrevista à imprensa após cerimônia de reinauguração do Centro Ruth Cardoso, espaço para palestras, cursos e seminários criado na capital paulista em homenagem à ex-primeira-dama, falecida em 2008.

Em sintonia com Fernando Henrique, o governador de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), avaliou que a saída de Erenice demonstra que existe um problema institucional na Casa Civil. "A instituição governo federal está muito abalada em vários pontos", afirmou. "Existem problemas que ultrapassam o nível individual."

Sobre a campanha do presidenciável tucano José Serra, Goldman defendeu que o candidato reforce a discussão de questões sensíveis à sociedade e fez um pedido aos eleitores: "Acordem para a realidade do País. A sociedade ainda está longe do centro dos problemas. Ela não está se conscientizando da gravidade dos problemas."

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