FHC diz que PSDB deve ´sentir o que o povo quer´

O PSDB precisa "botar o ouvido bem juntinho da rua, sentir o que o povo quer", mudar sua estrutura, definir o que pensa sobre novos temas - como a Internet, o aquecimento global, a aposentadoria de trabalhadores temporários - e aprender a defender a sociedade como um todo. A receita foi sugerida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista ao programa Show Business, que vai ao ar no domingo, 17, às 22 horas, na RedeTV. "Precisamos de novo juntar gente. Estamos num momento em que temos que ouvir, refazer nossas idéias para serem compatíveis com o que o Brasil quer hoje", prosseguiu. O ex-presidente criticou a falta de definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na formação do segundo governo: "Lula fez alianças com um arco enorme. O problema não é ele ter feito acordos com a direita, é que não tem rumo. Eu sempre me importei com isso, dar um rumo ao governo e ao País. Tem de definir: faz aliança para quê?" Sobre manter um diálogo com o atual governo, FHC disse que o PSDB "deve ser construtivo, mas ser construtivo não pode ser aderir nem protestar simplesmente". Fez ironia também ao falar de "Lula dos primeiros tempos", que "não era o Lula de hoje, que não tem ideologia, não tem mais nada, só quer o poder". FHC comentou uma afirmação do futuro governador paulista, José Serra (PSDB), de que Lula poderia fazer um governo mais à esquerda. Recorrendo ao filósofo italiano Norberto Bobbio, definiu a esquerda no mundo atual: "um sentimento de justiça e de igualdade" - e, nesse sentido, a frase de Serra estava correta. Citou o Chile, que é um governo de esquerda, "mas sabe que o mercado conta, ao mesmo tempo em que sabe que o mercado não é tudo". O PT, disse, não é mais socialista, "mas mantém o modelo" de um partido que representa a classe operária, chega ao governo e assim pretende mudar a sociedade. Ao comentar os partidos brasileiros, FHC os classificou como "caleidoscópicos" - porque são uma coisa nos municípios, outra nos Estados e uma terceira nas questões federais - e deu a entender, também, que em 2010 o PFL possivelmente poderá lançar um candidato próprio à Presidência da República. Ao falar do futuro dos tucanos, ele descartou a idéia de que poderia presidir o partido depois da saída do senador Tasso Jereissati (CE), em novembro do ano que vem.

Agencia Estado,

16 Dezembro 2006 | 16h36

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.