FHC diz que prioridade é ajuste fiscal e não eleição

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse, nesta quinta-feira, que a prioridade do governo é a manutenção do ajuste fiscal e que não hesitará em tomar medidas impopulares, como o aumento do IOF, para garantir o controle das contas públicas, mesmo que isso possa prejudicar o candidato do governo ao Palácio do Planalto.As afirmações de Fernando Henrique foram feitas ao presidente da Câmara, deputado Aécio Neves (PSDB-MG), durante conversa no Palácio da Alvorada, e são um recado à cúpula do PSDB, que tem feito críticas à equipe econômica pelas medidas que têm sido tomadas por entender que elas poderão prejudicar a campanha do candidato governista, José Serra, impedindo que ele suba nas pesquisas.?O compromisso do governo, muito mais do que com eleições, é com o País?, disse o presidente, segundo Aécio, depois de agradecer o empenho da Câmara na votação das Medidas Provisórias que destrancaram a pauta e permitirão o início da apreciação da prorrogação da CPMF na semana que vem.Na conversa, o presidente manifestou seu otimismo e reiterou a confiança na candidatura Serra, esclarecendo que a população saberá entender a necessidade de medidas duras, como já ocorreu no passado.Aécio Neves está convencido de que essas medidas, como o aumento do IOF, não prejudicarão Serra porque ?ninguém mais vai na onda do populismo e da irresponsabilidade?.De acordo com Aécio, o presidente insistiu que ?se tiver de tomar medidas impopulares, as tomará? e que entende que o que poderia afetar qualquer candidatura seria o descontrole das contas. ?Esse governo avançou até aqui em função da coragem e das medidas que tomou, quando foi necessário?, afirmou Aécio, ao relatar que o presidente acrescentou que ?todo o esforço feito nos últimos sete anos não se perderá em função de calendário eleitorais?.Depois de reiterar a confiança em Serra, o presidente lembrou que as conquistas obtidas até hoje não são do governo, ou do partido, são conquistas da sociedade. Para Aécio, é justamente a candidatura Serra a que mais tem condições de garantir e consolidar as conquistas. ?Eu vi um presidente otimista em relação ao quadro eleitoral?, salientou o deputado.Aécio Neves informou ao presidente o calendário de votações que programou, com apreciação da prorrogação da CPMF na próxima terça-feira, e a estimativa é de que tudo esteja completamente aprovado em até 30 dias.Na opinião de Aécio, somente depois dessa aprovação, é que o governo saberá que prejuízos teve e decidirá efetivamente o que fará para compensá-los. O presidente da Câmara acredita, no entanto, que possa até acontecer de não haver aumento do IOF ou, pelo menos, que vigore por um curto prazo.Aécio acha ainda que podem ser adotadas medidas compensatórias que não atinjam tanto o setor produtivo. ?Mas só será possível prever alguma coisa quando houver uma previsão mais realista?, comentou ele, insistindo em que talvez se possa encontrar algum caminho que não seja o IOF.Aécio Neves anunciou ainda para a quarta-feira da semana que vem a votação de artigos relativos ao Código de Processo Penal, importante para a área de segurança pública, e, nas semanas seguintes, outros projetos também em benefício dessa área. Depois, haverá votação da parte da Reforma Tributária que acaba com a cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. ?Esta é a agenda prioritária?, informou.

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