FHC diz que não usará instituto para política partidária

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, durante inauguração do instituto que leva seu nome (iFHC), que não vai usar a instituição para fazer política partidária ou criticar o governo Lula. "Não vou usar o instituto para isso", respondeu Fernando Henrique durante uma coletiva no Hotel Renaissance, ao lado dos ex-primeiros ministros Antônio Gutérres (Portugal) e Lionel Jospin (França) e do ex-presidente do Uruguai, Júlio Sanguinetti.Fernando Henrique ainda disse que não pretende usar o espaço do instituto para cobrar do governo questões como a corrupção ou o desemprego. "Se fosse para fazer críticas, tinha de fazer do meu governo também", observou o ex-presidente. "O desemprego não começou agora. Está enraizado em mecanismos de produção econômica e não imaginaria que discutir o desemprego tivesse que concentrar no governo atual."Embora continue negando qualquer pretensão política em 2006, Fernando Henrique não descartou totalmente a idéia. Ao ser perguntado se defenderia a proibição a volta dos ex-presidentes ao poder, como ocorre nos Estados Unidos, Fernando Henrique despistou: "Prefiro que nos Estados Unidos façam como aqui, porque aí eu iria torcer para o (Bill) Clinton voltar."Quem, entretanto, roubou a cena foi o ex-presidente do Uruguai, que falou sobre a instituição dos ex-presidentes. "Eles são como aqueles grandes vasos chineses. Muito decorativos, mas ninguém sabe o que fazer com eles", comparou Sanguinetti. Ao seu lado, Jospin acrescentou: "Alguns têm a vantagem de ser pequenos." Para Sanguinetti, entretanto, o espaço da ex-presidência oferece uma grande vantagem. "No dia-a-dia discutimos mais assuntos urgentes do que importantes", citou o ex-presidente uruguaio. "Como ex-presidentes, podemos discutir assuntos importantes que não são tão urgentes."Para o ex-primeiro-ministro Guterres, o encontro tinha um significado muito importante na atual conjuntura mundial. Ao referir-se à doutrina Bush - "quem não está conosco está contra nós" -, Guterres propôs uma inversão. "Quem não está contra nós, está conosco. Nesta reunião aqui estamos todos do mesmo lado. E acredito que o governo Lula também."

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