FHC diz que não houve sigilo de gastos do mandato dele

Em carta lida no plenário do Senado pelo líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que nunca houve sigilo nos gastos do Gabinete Pessoal da Presidência durante os dois mandatos dele. "Mesmo porque não há amparo legal para tal procedimento", afirmou. Na carta, Fernando Henrique também afirma que não vê inconveniente em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Cartões Corporativos saiba das contas, "tanto no meu quanto no atual governo". Ele completou: "É a única maneira de ambos os governos se livrarem de suspeitas que, no meu caso, são infundadas e espero que também o sejam no caso do atual governo."FHC disse que consultou ministros que trabalharam no governo durante a gestão dele. Estes ministros informaram, de acordo com o relato feito por FHC na carta, que uma única vez, no início da primeira administração, lançou-se mão de reserva para a compra de material criptográfico e de portas detentoras de metais."Mesmo neste caso, contudo, as contas foram devidamente prestadas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Não preciso, por conseqüência, abrir mão de prerrogativa que não usei e que é discutível. Basta requisitar as ditas contas (os gastos com cartões corporativos e contas B) à Casa Civil da Presidência da República. Parece-me estranho, entretanto, que se inicie as apurações revisando contas de meu período governamental, já aprovadas pela Secretaria de Controle Interno da Presidência e pelo TCU. Os fatos determinados, que deram origem à CPI dos Cartões Corporativos, têm a ver com alegadas retiradas de vultosas quantias de dinheiro, por meio de cartões de crédito na atual administração. Estas é que teriam sido glosadas pelo TCU", diz o ex-presidente no texto. Na opinião de FHC, "é evidente a intenção política de confundir a opinião pública com vazamentos recentes de informações parciais e distorcidas de meu governo". O ex-presidente demonstrou a expectativa de que tal vazamento, que definiu como crime, seja apurado.

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