FHC diz que não é fácil ser democrata no Brasil

Ao participar ontem à noite de jantar organizado pelo PTB, o presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou o papel do Congresso na construção da democracia e criticou os que preferem o caminho do "murro na mesa", do autoritarismo e do caudilhismo. "Todos aqueles no Brasil que tentaram fazer a ferro e fogo as reformas caíram", afirmou Fernando Henrique, numa referência aos governantes que não respeitaram o Legislativo."Não é fácil ser democrata no Brasil", disse. "A cultura tradicional brasileira pede sempre o caudilho, pede sempre aquele que dá murro na mesa, pede sempre aquele que tem pulso forte, na expressão vulgar, entendida como pulso forte a capacidade de ser arbitrário."Segundo ele, contudo, "gestos carismáticos" e "frases fortes" não bastam para transformar o País. "Quem não é capaz de ceder, quem pensa que ceder é equivocado, não é capaz de governar democraticamente", discursou Fernando Henrique para uma platéia de senadores, deputados e prefeitos do PTB reunidos na casa do presidente do partido, deputado José Carlos Martinez (PR), num luxuoso condomínio em Brasília.O pré-candidato à Presidência Ciro Gomes (PPS), que é apoiado pelo PTB, não foi convidado para o jantar. Ciro tem a imagem de político voluntarista, disposto a mudar a realidade sozinho - o que faz seu estilo muitas vezes ser comparado ao do ex-presidente Fernando Collor."Aquele que pensa que pode transformar o Brasil sozinho se equivoca", disse Fernando Henrique, que aproveitou para trocar afagos com os petebistas, aliados do governo desde o primeiro mandato. "O PTB terá o candidato que quiser e será sempre um aliado meu. Porque nós estamos juntos", disse ao fim do discurso, à beira da piscina ornamentada com balões nas cores da bandeira do PTB.Dos dirigentes da legenda, ele ouviu que o partido vai apoiar seu governo até o fim, mas marchará com Ciro em 2002. "Só há um jeito de a gente abandonar a candidatura do Ciro: se Fernando Henrique for candidato", disse o líder do PTB na Câmara, Roberto Jefferson (RJ), brincando com o fato de que o presidente não pode concorrer novamente ao cargo.

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