FHC diz que investidor diferencia Brasil e Argentina

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que os investidores estrangeiros estão descobrindo que as economias do Brasil e da Argentina são diferentes e perdendo o receio de investir aqui mesmo com as dificuldades financeiras do país vizinho. Em entrevista concedida esta manhã à Rádio Senado, ele disse que a percepção dos investidores com quem conversou nas viagens recentes que fez à Europa e aos EUA é de que o Brasil não depende mais hoje do capital especulativo como dependeu no passado."O capital que entra aqui é para investimento e quem faz investimento aqui não faz para os próximos três meses, faz para os próximos 30 anos", afirmou Fernando Henrique, frisando que os investidores estrangeiros perceberam que o governo brasileiro está mantendo a capacidade de decidir, tomar iniciativas e reagir ás dificuldades, mesmo diante das crises enfrentadas neste ano."Isso é reconhecido lá fora também. Eu acho que eles perceberam que nós não estamos aqui com problemas institucionais, com brigas que impedem o governo de decidir; não estamos com brigas entre os Estado e a União. Tudo isso aqui está, digamos, dentro da norma democrática. Então, isso tudo ajuda a que continue a haver uma separação mais nítida entre o Brasil e outros países que não tenham as mesmas condições", comparou o presidente, tomando o cuidado diplomático para não mencionar diretamente a Argentina. Fernando Henrique considerou, na entrevista, que o Brasil obteve uma vitória na Organização Mundial do Comércio (OMC) ao conseguir a possibilidade de quebra de patentes em casos de emergência envolvendo saúde pública. "Não é que nós somos contra patentes, nós respeitamos os direitos intelectuais, mas a saúde, a vida, vale mais do que o mercado, mais do que o dinheiro", justificou o presidente, lembrando que até o governo dos EUA cogitou a quebra da patente de um medicamento por causa da ameaça do antraz. "Já valeu nossa batalha", comemorou.O presidente afirmou ainda que, se houver alguma mudança na composição do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) são grandes as chances de o Brasil ter uma vaga permanente. Segundo Fernando Henrique, a composição atual do Conselho de Segurança - sem países como Alemanha, Itália, Espanha, Japão e Índia - não é representativa do mundo atual. O presidente disse que o Brasil precisa aproveitar a respeitabilidade e o bom conceito adquiridos no exterior para exigir uma participação formal permanente nos principais colegiados mundiais.

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