FHC diz que governo faz mas não fala

O presidente Fernando Henrique Cardoso antecipou-se hoje ao discurso que Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) faria no Senado à tarde, e afirmou que tem "horror à corrupção". Sem esconder a irritação com as acusações feitas a ele por ACM na semana passada, o presidente voltou a dizer que a corrupção é "nojenta" e destacou: "isso não é palavra que digo hoje, a vida inteira fui assim, sempre tive horror à corrupção".Irônico, Fernando Henrique aproveitou a platéia de 60 prefeitos presentes na solenidadeno Planalto para dizer que o governo federal está combatendo a pobreza com ações e nãocom demagogia. "É possível combater a pobreza sem demagogia, sem discursos bombásticos, mas no trabalho cotidiano", declarou o presidente, conclamando prefeitos e governadores para um grande "mutirão" contra a pobreza.Para Fernando Henrique, dizer que se está combatendo a miséria ou reclamar que ogoverno não está agindo, não adianta. "Deixemos que os outros digam ou que reclamem",desdenhou. "O que adianta é saber se fez ou não fez e nós estamos fazendo, estamosfazendo diuturnamente", insistiu, depois de comentar que "nunca" na história do País secanalizou R$ 13 bilhões (total de recursos do Alvorada até 2002) para as áreas maiscarentes.Em outros dois momentos do discurso, Fernando Henrique referiu-se ao pouco efeito prático das palavras. Primeiro, ao comentar que se impressiona mais com os depoimentos "singelos" de pessoas que trabalham em programas sociais ou que são beneficiadas por eles do que com "qualquer discurso que se possa fazer". Depois, como desculpa para encurtar sua fala. "Não quero cansá-los com muitas palavras, até porque acabei de dizer que não acho que a seja a palavra o fundamental", ironizou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.