FHC diz que foi mal interpretado sobre professores

O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou hoje, em nota, as interpretações sobre declarações que deu ontem em relação às categorias dos professores, durante a entrega do prêmio Finep de Inovação Científica e Tecnológica. Conforme a nota, as declarações do presidente foram feitas em ?tom simpático?. ?O presidente da República lamenta que suas palavras tenham produzido mal-entendidos?, afirma.?Essas palavras (o presidente se referia a profissionais que, não tendo inovado no campo da ciência, seriam ´apenas´ professores) foram ditas quando de cerimônia de premiação de empresas inovadoras e visavam apenas enaltecer a criatividade e mostrar a angústia dos verdadeiros inovadores, que correm contra o tempo."A nota do presidente foi lida pelo porta-voz adjunto da Presidência, Alexandre Parola. O presidente também comentou o acordo firmado com os professores universitários de forma a encerrar a greve da categoria. Citando uma frase do ex-presidente Juscelino Kubitschek, disse que "quem cede para os estudantes, planta para o país". De acordo com o presidente, o mesmo se aplica aos professores. "O presidente espera portanto, que o gesto feito ontem produza os frutos que o País quer colher, ou seja, o fim da greve". É o seguinte o texto da nota distribuída pela Presidência da República:Tendo em vista a reprodução por alguns jornais de observações suas fora de contexto, o presidente da República esclarece:1 - A referência a funcionários públicos, inclusive professores, como uma ´classe especial de privilegiados´, foi em resposta ao comentário de um jornalista em entrevista a uma emissora de TV, que fazia crer que o Presidente considerava uma ´casta´. Recusando tal qualificativo, o Presidente da República disse que, entretanto, em comparação com as aposentadorias do INSS dos trabalhadores do setor privado, poder-se-ia falar de um setor privilegiado. 2 - A referência aos que, não tendo inovado no campo da ciência, seriam ´apenas´ professores, foi no âmbito de experiência científica específica no Institute for Advanced Study, de Princeton. Naquela instituição, na época em que o presidente da República lá trabalhou, ainda vivia Goedel, colaborador de Einstein e autor da famosa equação. E lá se dizia que, em matemática e física pura, as grandes invenções eram feitas por jovens PHds de menos de 30 anos. Caso contrário, ´coitados´, sem serem famosos, iriam dar aulas, sem ostentar o nome da equação. Essas observações foram feitas em tom simpático. A referência aos professores que, pela idade já mais vetusta e sem ainda ter produzido aquela teoria famosa, renunciavam à glória e iriam ´apenas´ dar aulas (´coitados´), incluiu ele próprio. Essas palavras foram ditas quando de cerimônia de premiação de empresas inovadoras e visavam apenas enaltecer a criatividade e mostrar a angústia dos verdadeiros inovadores, que correm contra o tempo."3 - De qualquer modo, diante de interpretações que tiraram suas observações do devido contexto, o presidente da República lamenta que suas palavras tenham produzido mal-entendidos."

Agencia Estado,

28 de novembro de 2001 | 16h39

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