Daniel Teixeira/Estadão
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FHC diz que foi ao teatro com Haddad 'de propósito'

O encontro foi fotografado e saiu na imprensa; 'Nesse momento de acirramento, tem que dar sinal de que não está nessa onda', afirmou o ex-presidente

Pedro Venceslau e Letícia Sorg , O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2015 | 20h47

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que foi recentemente ao Theatro Municipal com o prefeito de São Paulo, o petista Fernando Haddad, "de propósito". O encontro foi fotografado e saiu na imprensa. "Nesse momento de acirramento, tem que dar sinal de que não está nessa onda", afirmou, em palestra de lançamento de seu livro "A miséria da política", nesta quarta-feira, em São Paulo.

FHC disse considerar o prefeito uma "pessoa decente" e importante manifestar um sentimento democrático. Questionado se essa disposição ao diálogo se estenderia ao ex-presidente Lula, o tucano disse que estava aberto a conversar, quando o assunto chegou a ele, mas que, agora, tem um pouco de "receio". "Deixa passar a Lava Jato", afirmou.

Lula. O ex-presidente disse que Lula iniciou um sistema de presidencialismo de cooptação, que se forma em torno de pedaços do Orçamento e não de uma agenda política, e se aliou com forças políticas atrasadas. O ex-presidente afirmou que, ao controlar as dificuldades econômicas iniciais com medidas "corretas", o governo Lula teve a impressão de que não precisava fazer reformas necessárias. 

FHC disse que a mágoa em relação ao ex-presidente petista não é pessoal. "Tinha outra expectativa com relação ao desempenho do Lula", afirmou. Ele lembrou que o conheceu quando ainda era uma liderança sindicalista e reconheceu nele "uma certa autenticidade". Mas, para Fernando Henrique, o petista "foi capturado pela política tradicional brasileira". "Ele tinha capacidade de quebrar com isso, mas aderiu", disse.

Apesar de não creditar a mágoa a uma questão pessoal, o tucano disse não concordar com a política do PT de colocar o PSDB como o principal inimigo político e de focar as críticas nele a partir da necessidade de "fulanizar" o debate.

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