FHC diz que falta de energia está perto do fim

Ao discursar nesta quarta-feira em almoço oferecido ao primeiro-ministro de Portugal, António Guterrez, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o problema da falta de energia no Brasil está perto de ser resolvido. ?Estamos chegando ao fim do sofrimento?, afirmou o presidente.A declaração acontece dois dias após o presidente da Câmara de Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, ter negado qualquer estudo capaz de determinar neste momento o fim do racionamento em novembro deste ano. Poupar e rezarParente esclareceu nesta quarta-feira que a declaração do presidente leva em consideração perspectivas otimistas tanto quanto à redução no consumo de energia no País, como em relação à chegada das chuvas. ?O presidente expressa, como fez no discurso em cadeia nacional de rádio e televisão no (último) sábado, absoluta confiança de que a população continuará contribuindo com a redução no consumo de energia e de que as chuvas estejam começando de forma firme?, ponderou Parente. É a terceira vez que o presidente dá declarações com tom político sobre o problema energético, contrariando informações técnicas prestadas por Parente e pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge.Na semana passada Fernando Henrique afirmou à revista alemã Der Spiegel que não haveria apagão até o fim deste ano. Reforçou, em seguida, a previsão em evento no Rio de Janeiro. ?Eu acho, pelo que tenho recebido de informações, que mantidas as condições de racionamento, com cada um fazendo a sua poupança e não desanimando agora nestes meses e havendo chuva, não haverá apagão?, disse. ?Tem de se manter o racionamento e rezar para chover. E vai chover?, acrescentou.Intervenção políticaParente e Jorge sempre afirmam que a decisão sobre o fim do racionamento será exclusivamente técnica e não política e que depende, entre outros fatores, das chuvas que começam em novembro.Quanto aos apagões, os ministros os descartam somente pelo prazo máximo de seis semanas no Sudeste e Centro-Oeste e de quatro semanas no Nordeste. O presidente Fernando Henrique já interveio politicamente em várias decisões dos técnicos do setor de energia antes mesmo da criação da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE).Em maio, o presidente fez o Ministério de Minas e Energia voltar atrás nos estudos que estavam sendo elaborados para impedir que a cobrança de multa fizesse parte das medidas do plano de racionamento de energia.Apesar de ter instituído posteriormente a sobretaxa para os consumidores que gastem além da meta, o governo baniu a palavra multa dos estudos. A definição do comando da GCE, entregue ao ministro chefe da Casa Civil, Pedro Parente, também foi um decisão política de Fernando Henrique para ter um ministro próximo coordenando as ações dos órgãos do setor de energia, como o Ministério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). FlexibilizaçãoFisicamente a GCE também ficou ao alcance do controle do presidente, já que o Palácio do Planalto foi definido como a sede da Câmara.Quando o plano de racionamento foi questionado na Justiça, após a edição da Medida Provisória que suspendia os direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor, o presidente interveio flexibilizando as regras. Também foi Fernando Henrique que determinou à GCE que instituísse regras mais leves para as micros, pequenas e médias empresas.Primeiro permitiu que elas pudessem comprar energia para compensar um eventual gasto além da meta de consumo. Depois, o governo anunciou um crédito de R$ 1 bilhão para essas empresas substituírem equipamentos por outros de menor consumo de energia.A última decisão do Presidente, com base no faturamento do mês de julho com a cobrança da sobretaxa, foi a determinação de estender o bônus aos consumidores com meta de até 225 quilowatts-hora por mês.

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