FHC diz que "birra" ambientalista atrapalha o País

O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ambientalistas, juízes e promotores que estão impedindo a construção de usinas em alguns pontos do País. "O País tem fome de energia e tem fome de crescimento", disse o presidente durante cerimônia de assinatura de contratos de concessão de nove hidrelétricas, ao pedir que ?não paralisem o Brasil?. Segundo o presidente, além do respeito ao meio ambiente, é preciso que haja também respeito às necessidades do povo brasileiro, para que a "birra" entre os diferentes setores não prejudique as obras, porque elas representarão mais emprego."Os mesmos que gritam pedindo mais emprego e reclamam que o governo têm de fazer mais, para dar emprego, não deixam que haja obras que permitem o crescimento do emprego", queixou-se o presidente. Na opinião de Fernando Henrique, "há alguma contradição está aí presente, que nós não podemos aceitá-la sem discutir, para ver de que maneira, racionalmente, respeitando naturalmente o meio ambiente, se dá vazão às obras". Na cerimônia de hoje, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) assinou contratos de concessão de nove hidrelétricas leiloadas em novembro do ano passado, que permitirão o acréscimo de 2.283 megawatts (MW) à capacidade de geração do País. Os grupos vencedores pagarão, pelas concessões arrematadas, cerca de R$ 3,9 bilhões ao longo de 35 anos de concessão, montante que será recolhido aos cofres da União.Fernando Henrique fez um apelo para que a obra de construção da usina de Belo Monte, que fica no rio Xingu, no sul do Pará, não enfrente os mesmos problemas que muitas outras, e que as pessoas tenham consciência para não prejudicar o Brasil. Na opinião do presidente, é preciso que não haja "obstáculos excessivos" para a liberação das obras das usinas. "É simplesmente uma questão de empurra para cá, empurra para lá, vai um procurador aqui, um juiz ali, uma ONG acolá. Eu sou ambientalista e sou totalmente favorável ao respeito ao meio ambiente, mas é preciso que haja também respeito às necessidades do povo brasileiro, e eu vejo que muitas vezes a demora não tem razão de ser". Ao se referir a Belo Monte, o presidente lembrou que o projeto já foi feito e refeito e agora já chegou a um grau de racionalidade bastante razoável. "Eu acho que caberia um apelo àqueles que vão tomar decisões, independentemente do governo, nesta matéria, para que façam suas considerações, obriguem os empresários e o governo a atenderem melhor aos reclames das populações locais, que têm de ser atendidas, que nos obriguem a cumprir à risca a legislação ambientalista". Mudanças O presidente falou da mudança na legislação que permitiu a parceria dos setores público e privado na construção de usinas, e lembrou que a falta de regulamentação para esta área levou à redução de investimentos, com paralisação de obras. Essas mudanças, comentou, acabaram sendo aceleradas pela crise de energia.Fernando Henrique voltou a agradecer à população pela colaboração durante o racionamento e salientou que com as mudanças realizadas hoje, com dois anos de antecedência será possível se prever novas crises no setor. "Saímos dessa crise com mais confiança na nossa capacidade de superar dificuldades", afirmou o presidente.

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