FHC diz a ministros que não quer clima de fim de governo

A multidão ainda se dispersava na Esplanada dosMinistérios e os palanques armados para a festa do pentacampeonato começavam a serdesmontados do lado de fora do Palácio do Planalto, quando o presidente FernandoHenrique Cardoso decidiu fazer uma reunião com todo o Ministério no final da tarde desta terça.Era mais um dia de expectativa no mercado, com o dólar quase chegando a R$ 3,00, mas o presidente tinha pelo menos dois recados políticos à sua equipe: muitocuidado de todos para não ferir a lei eleitoral durante a campanha que começa nosábado; e empenho de todos para evitar clima de fim de governo.Lá dentro do Planalto não houve nem tempo para maiores comentários sobre aperformance da seleção. Saíram de cena o técnico Felipão e o time de jogadoresvencedores e entraram em campo o presidente Fernando Henrique e o time de ministrospara mais uma reunião.Na pauta, um balanço dos oito anos do Real, perspectivas para osegundo semestre e o lembrete do dia: a partir do próximo dia 6, pela Lei Eleitoral, ficaproibida a exploração de logomarcas do governo e qualquer propaganda oficial.Passada a euforia da Copa do Mundo é hora de traçar a estratégia para o segundosemestre que se inicia. Principalmente num dia em que o pano de fundo da vitória daseleção pentacampeã foi um mercado de câmbio extremamente nervoso, com o dólaratingindo mais uma vez cotação recorde: R$ 2,94.A preocupação maior do presidentecontinua sendo evitar que seus últimos seis meses no Palácio do Planalto ganheaquela velha cara de fim de governo.A reunião ministerial contou com a presença do presidente Fernando Henrique Cardosopor menos de meia hora, tempo suficiente para ele dar seus recados.Em seguida eleretornou ao Palácio da Alvorada, onde receberia o presidente do México, Vicente Fox,para um jantar. Quem deu seqüência aos debates foi o ministro-chefe daCasa Civil, Pedro Parente.Fernando Henrique fez um rápido balanço dos oito anos do Real. Ascomemorações oficiais ocorrerão no próximo dia 9, no Rio de Janeiro. No encontro foiapresentada ainda uma relação das obras do governo federal em andamento em cadaEstado.Apesar de não ter sido comunicada com antecedência, o governo fez de tudo parapassar a impressão de que se tratava de mais uma reunião de rotina. Com isso,tentou-se evitar a idéia de um encontro de emergência frente às turbulências vividas peloPaís.A equipe econômica segue a linha de ação coordenada para tentar reverter ocenário ruim da economia, que se intensificou nos últimos dias. Na semana que vem, oministro da Fazenda, Pedro Malan, embarca para uma viagem à Espanha, ondeparticipará de seminário promovido pela The Economist sobres riscos na áreafinanceira.Já o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, vai para os Estados Unidosconversar com investidores internacionais. Em ambas oportunidades, o governobrasileiro vai repetir o discurso de que a crise atual não tem nenhuma relação com osfundamentos da economia.

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