FHC dirá na TV que já houve privações maiores

O presidente Fernando Henrique Cardoso fará às 20h desta sexta-feira, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, um apelo à população para que reduza em 20% o seu consumo de energia, conforme previsto no plano de racionamento anunciado hoje. Após lembrar que, nos seus seis anos de governo, tem-se dirigido à população sempre que sentiu a necessidade de mostrar "desafios grandes, caminhos novos, perigos à vista ou vitórias alcançadas pelo povo", ele dirá: "Hoje, mais uma vez, peço a sua atenção para um novo desafio: o de vencermos a escassez transitória de energia elétrica em algumas regiões do País".Ele vai atribuir parte da escassez ao aumento do consumo de energia, provocado pela retomada do crescimento da economia e pela expansão de seu uso nas casas, e dirá que isto é um sinal positivo de que o País volta a crescer. Mas lembrará que o sistema instalado no Brasil depende das hidrelétricas e que 92% da energia provêm dos reservatórios dessas usinas.Ele admitirá que algumas das críticas quanto aos erros na condução da política energética e de falta de previsão no uso dos reservatórios de água são justas, mas vai ponderar que de fato "houve drástica redução das chuvas na Região Sudeste, que representa 70% da capacidade de armazenagem de águas de todo o País".Dirá que, diante dessa situação, cabe a ele a responsabilidade de mobilizar a sociedade para que seja reduzido o consumo de energia. Admitirá que economizar, em média, 20% do consumo, não é pouco. "Mas não há como amenizar este esforço", afirmará. Ele lembrará que o País já passou por provações maiores. "E, para enfrentá-las, eu nunca deixei de falar com franqueza ao País", dirá. Entre esses momentos de provação, ele citará a derrubada da inflação e as crises econômicas do México, da Ásia e da Rússia. "Naquelas ocasiões, não faltaram os pessimistas que previram catástrofes: A volta da inflação, a recessão econômica e o desemprego crescente", lembrou. "Mas o povo soube organizar-se, ter paciência e vencer obstáculos. Será assim também agora", previu. Fernando Henrique Cardoso dirá ainda que afastou a idéia de multas e apagão do plano de racionamento de energia. "Para resolver a situação atual de emergência, o engajamento de cada um de vocês é parte da solução. E, para que tudo dê certo, além do trabalho incessante do governo, é preciso que você instrua seus filhos, sua família, incentive seus amigos e tenha uma atitude responsável", afirmará.O presidente vai dizer que será bom para o Brasil criar uma mentalidade de conservação e do uso racional de energia, "não apenas agora, nesta hora de combate à escassez, mas permanentemente".Vai anunciar que o governo continuará investindo na construção de linhas de transmissão e em usinas termelétricas movidas a gás, mas vai ponderar que isto leva tempo. Quanto a sua decisão de afastar a idéia de cortes de energia, Fernando Henrique a justificará com o argumento de que os cortes causariam "males enormes" à população e ao País. "Afastei-a (a idéia) porque confio em nosso povo. Os brasileiros saberão racionalizar seu uso. Mas isso será indispensável, se quisermos afastar definitivamente o risco do apagão", observará.

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