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FHC deve assumir articulação para votação no Senado

O presidente Fernando Henrique Cardoso declarou nesta quarta-feira que vai se empenhar pessoalmente para garantir o voto favorável da bancada do PFL aos projetos de interesse do governo. Indicou ainda a disposição de usar sua influência dentro do PSDB para acomodar o retorno do partido à base aliada. Apesar de ter passado os últimos três dias em visita oficial ao Chile, o presidente deixou claro que manteve contatos por telefone com senadores do PFL para convencê-los a votar em favor da emenda constitucional que prorroga a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e em curtíssimo prazo. Ao iniciar suas declarações, ao lado do presidente chileno, Ricardo Lagos, FHC fez questão de ressaltar a importância do retorno do PFL à base do governo, dentro do quadro de preservação das condições de governabilidade do País até o final de seu mandato. Lembrou que o partido dissidente foi fundamental para o governo levar adiante os "processo de transformação" implementados no País nos últimos anos e que deve continuar a ter uma participação ativa na política nacional.Confrontado com o fato de o PSDB já ter escolhido o PMDB como aliado preferencial para as eleições e, portanto, com a impossibilidade de o PFL assumir uma posição de maior destaque na chapa do governo, o presidente ponderou que essa questão diz respeito exclusivamente ao contexto eleitoral. Não deveria, assim, repercutir no comportamento do Senado ao avaliar a emenda constitucional. Para FHC, até as eleições, "muita água vai passar O Brasil está em fase eleitoral, não sei quais entendimentos houve nos últimos dias no Brasil. Mas as eleições são em outubro. Daqui até lá, muita água vai passar. "O PFL é um partido importante, que ajudou uma série de transformações importantes no Brasil, e eu estou empenhado pessoalmente a garantir que continue votando e apoiando o governo", afirmou o presidente. "Outra questão é a eleitoral. Essa, não sou eu quem conduz. Posso ter alguma influência. Minha influência foi até agora no sentido de buscar a convergência. Vamos ver que condições haverá para isso. Evidentemente, tenho de reconhecer as dificuldades dos últimos dias", completou. De acordo com o presidente, é sua responsabilidade conduzir o País até dezembro deste ano com "condições de governabilidade". Mais especificamente, FHC referiu-se ao fato de que, a cada dia de demora na votação da emenda constitucional que prorroga a CPMF, a Receita Federal deixará de recolher cerca de R$ 80 milhões, destinados preferencialmente a programas sociais. A rigor, o governo já conta com três dias de prejuízos, que começarão a ser contabilizados no caixa do Tesouro em julho, quando a contribuição deixará de ser arrecadada.Por conta disso, o presidente elogiou a "forma consistente" com a qual os deputados aprovaram anteontem a emenda, em segundo turno. Aproveitou para declarar sua convicção de que os senadores do PFL tenderão a seguir os colegas da Câmara, uma vez que continuará seu trabalho pessoal de persuasão "com paciência". FHC deixou claro ontem que cancelou sua participação na Conferência das Nações Unidas para o Financiamento ao Desenvolvimento, que ocorre nesta semana em Monterrey, no México, porque tem de concluir as votações da CPMF no Congresso."Tenho a certeza de que os senadores do PFL terão a mesma sensibilidade que os deputados tiveram e que vão votar favoravelmente", afirmou. "Terei toda a paciência necessária para que o Brasil possa seguir no mesmo caminho construtivo. Não tenham dúvidas de que estarei sempre disposto a cooperar para que os ânimos não se exaltem", completou.O presidente ainda afirmou que não acreditava na possibilidade de o senador José Sarney (PMDB-AP), em seu discurso na tribuna do Senado, uma proposta de solicitar à Organização dos Estados Americanos (OEA) o acompanhamento direto do processo eleitoral do País neste ano. "Não creio que o presidente (ex-presidente Sarney) tenha dito isso. Quem vigia as eleições no Brasil é a mídia. Não precisa mais ninguém. Basta" , declarou, no mesmo momento em que o senador ainda estava em meio a seu discurso, em Brasília.

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