FHC deve antecipar lançamento de plano de ação

O presidente Fernando Henrique deve antecipar para segunda-feira o lançamento do novo plano de ação do governo para o biênio final de sua administração. Embora o agravamento do estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, Mário Covas, possa interferir no cronograma do governo, um interlocutor do presidente informa que a idéia é começar a próxima semana reunindo os partidos da base aliada para discutir o plano que prevê um grande reforço na área social, envolvendo investimentos da ordem R$ 61,9 bilhões. Segundo o secretário-geral do Planalto e coordenador político do governo, ministro Aloysio Nunes Ferreira, a equipe que está ajudando o presidente a montar o plano deve reunir-se novamente na quinta-feira para "os retoques finais" na proposta. Ainda em Roma, onde encontrou-se com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Ângelo Sodano, para pedir o apoio da Santa Sé à candidatura da Pastoral da Criança ao prêmio Nobel da Paz , o ministro Aloysio informou ontem que o chefe do Gabinete Civil da Presidência, Pedro Parente, e o assessor especial Vilmar Faria também estarão presentes na reunião desta quinta-feira. Caso a antecipação do lançamento seja confirmada, também o PFL adiantará seu calendário. O presidente nacional do partido senador Jorge Bornhausen (SC), já pensa em realizar, no dia 7, a reunião da executiva nacional prevista para quinta-feira, 8 de março. "Se o presidente apresentar o plano antes, não temos porque atrasar a executiva", diz Bornhausen, ao salientar que pode estrear um novo modelo de reunião. Moderação - "Estou com vontade de fazer uma sessão pública, em um auditório maior, e vou consultar os companheiros a respeito", contou o senador. Ele não comenta as razões da inovação, mas seus correligionários avaliam que o objetivo é forçar o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) a moderar o tom de seus ataques ao governo Fernando Henrique. "Em um encontro fechado, ACM pode carregar nas denúncias e fazer vazar seus ataques, sem confrontar diretamente com o presidente", diz um pefelista do grupo de Bornhausen e do vice-presidente Marco Maciel. Mesmo em oposição interna a ACM, esta ala do partido não tem interesse em romper com o senador baiano, uma vez que ele é o líder mais popular do PFL e comanda o quarto maior colégio eleitoral do País, com 3,8 milhões de votos. Na avaliação deste grupo, a reunião aberta pode ser conveniente para que ACM fixe os limites entre a posição de independência em relação ao governo, que ele tem defendido nos últimos dias, e a de oposição a FHC. Na reunião da executiva, o PFL deve discutir seu engajamento no plano de ação governamental que Fernando Henrique quer usar para recompor seu governo, tanto na área política quanto administrativa. "A primeira grande ação do governo é recompor com o PFL e o PSDB não será um complicador nesta iniciativa", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães Júnior (BA). Ao repactuar a aliança com os pefelistas, os dois ministros da cota de ACM demitidos na sexta-feira (Rodolfo Tourinho, das Minas e Energia, e Waldeck Ornélas, da Previdência) deverão ser substituídos por representantes da alta cúpula do PFL, ligados a Bornhausen e Maciel. Segundo um cardeal pefelista, o nome ideal para substituir Tourinho hoje é o próprio Bornhausen. "Com ele o presidente pode compor um governo forte, para os próximos dois anos, já que o mandato do senador vai além das eleições de 2002", diz o dirigente do PFL. E na eventualidade de o vice Maciel deixar o governo em abril para candidatar-se ao Senado, Bornhausen passaria a representar o PFL dentro do Executivo, com a tranqüilidade de ter um amigo íntimo e leal - o senador José Jorge (PE), em seu lugar na presidência do partido.

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