FHC descarta retaliações comerciais dos EUA

O presidente Fernando HenriqueCardoso descartou hoje o risco de o Brasil sofrer retaliaçõescomerciais por ter sido incluído, pelo governo dos EstadosUnidos, na lista negra de países que pouco combatem a piratariae a falsificação de produtos. "Não é questão de fazerretaliação porque aí tem que retaliar de parte à parte", disseele, após desembarcar em Carajás, no Pará, onde amanhã lança a pedra fundamental de projeto da Companhia Vale do RioDoce para a extração de minério de cobre.Admitindo que a pirataria tem conseqüências "graves" eprejudica artistas e autores, Fernando Henrique defendeu a lutapermanente contra o contrabando. Mas deixou claro que o problemaatinge o mundo inteiro e requer esforço mútuo. "Isso não équestão brasileira, é internacional", declarou, enfatizando quese deve verificar a procedência e o caminho percorrido pelosprodutos falsificados. "Precisa observar por onde é que passouesse material: se passou pela alfândega dos Estados Unidos, épreciso primeiro uma auto-observação." Ontem, o Brasil foiincluído na chamada "lista de observação prioritária" do governonorte-americano, uma vez que o escritório de Comércio dos EUA(USTR) concluiu que há aumento no volume de pirataria no País efraca reação das autoridades brasileiras.Fernando Henrique não soube dizer se o Brasil será capazde adotar medidas que levem o governo dos Estados Unidos aretirá-lo da lista, mas minimizou o problema. "O Brasil é umpaís suficientemente maduro e importante para não se preocuparmuito não. Então, anotou lá: fica em observação. Fica", disse."Vão verificar que nós vamos continuar lutando e vamos pedirtambém que nos ajudem, que lutem lá também contra o contrabando,contra o consumo de droga, porque isso tem que ser no mundo."Apreensão - O presidente contou ter conversado hoje sobre otema com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Nosúltimos anos, o governo federal fez as maiores apreensões deprodutos falsificados. "Tudo isso era material que vinha fabricado geralmentena Ásia, passando pelos Estados Unidos, vindo para cá e indopara outros países", disse Fernando Henrique. "E nósapreendemos."

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