FHC descarta presença de terroristas no Brasil

O presidente Fernando Henrique Cardoso descartou, em entrevista exibida pela CNN espanhola, a presença de grupos terroristas no extremo sul do País. "A inteligência brasileira nunca detectou nada de concreto a respeito disso. Temos preocupações, porque esta é uma região de contrabando", disse, referindo-se à fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. "Até hoje não detectamos nada além de uma ou outra informação, do lado paraguaio, de que possa haver gente ligada com esse ou aquele grupo, mas nada que seja um grupo terrorista."Há suspeitas apenas, admitiu Fernando Henrique, de que pessoas ligadas a um ou outro grupo terrorista estejam escondidas em outros países da América Latina. "Estamos cada vez mais atentos para tentar detectar, mas até agora não registramos ameaça alguma e esperamos continuar assim", afirmou. O presidente endossou a disposição do governo dos EUA de combater o terrorismo, mas criticou represálias gratuitas de cidadãos contra muçulmanos e árabes."Os incidentes não podem levar à uma guerra de culturas ou de origens. Aqui no Brasil há muitos árabes e muçulmanos e isso, de maneira nenhuma, nos leva a crer que estejam envolvidos com terrorismo", frisou. "São cidadãos brasileiros, com os sentimentos de todos nós aqui de que somos um país de pluralidade cultural e racial, de convivência e tolerância."Fernando Henrique disse não acreditar em uma guerra entre o mundo islâmico e o mundo ocidental. Na sua avaliação, os ataques aos Estados Unidos decorrem de uma "perversão do islamismo" para fins de terrorismo: "Acho que essa rede vai muito além do mundo árabe, o que é um perigo, pois está em todas as partes e é um inimigo praticamente oculto."Falando em espanhol, o presidente reafirmou sua solidariedade ao povo dos Estados Unidos e defendeu que os países latino-americanos fiquem em estado de alerta contra eventuais ataques. "Sempre temos de estar preparados, prevenidos", disse. Ele reafirmou que o governo brasileiro está atento aos desdobramentos da crise mundial e que a economia brasileira é sólida o suficiente para enfrentar as dificuldades que virão."O sistema econômico brasileiro é saudável, assim como a parte fiscal", afirmou. "Temos a convicção de que, mesmo com tudo o que está ocorrendo, somos uma zona de paz e espero que os fluxos financeiros, que agora estão muito nervosos e retraídos, voltem a atuar com responsabilidade a longo prazo e continuem financiando o nosso sistema produtivo."

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