FHC defende tratamento contra Aids para países pobres

A Segunda Conferência Internacional sobre Aids foi aberta hoje pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Paris, que falou para uma platéia de médicos, sanitaristas, políticos e pesquisadores, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao todo 5.000 participantes representando 120 países. Ele defendeu a extensão do tratamento brasileiro para o conjunto dos países mais pobres do sul, especialmente para a África, lembrando que essa constitui hoje em dia a " principal urgência". Fernando Henrique advertiu também para a ameaça que a doença representa atualmente para as mulheres e as populações mais jovens, atualmente setores da sociedade que apresentam maior vulnerabilidade.A escolha de Fernando Henrique Cardoso para a abrir o congresso se deve a experiência brasileira durante seu governo. Desde 1996, o Brasil aplica com êxito um programa de distribuição gratuita de tratamentos antivirais, inacessíveis à maioria dos pacientes em todo o mundo em razão de seu custo. Hoje, o antigo presidente sul africano, Nelson Mandela, deverá interpelar os políticos sobre a urgência de "tratar todos os pacientes de aids" espalhados pelo mundo. Em seu discurso na abertura do encontro de Paris, o ex- presidente falou sobre o plano implantado por seu ministro da Saúde, José Serra.Segundo o ex- presidente, a experiência brasileira foi importante no que diz respeito a interação entre o Estado e a sociedade civil, entre a prevenção e o tratamento, a economia e valores éticos. Só em 1996, uma legislação especial foi adotada para assegurar o direito de acesso livre e universal aos remédios antivirais, o que permite que 100 mil pessoas recebam, hoje em dia, a medicação gratuitamente. Para desenvolver essa política foi essencial baixar os preços, através da produção local dos remédios, oito versões de genéricos não patenteadas. Com isso, a própria indústria farmacêutica foi também pressionada a reduzir seus preços. Hoje, a taxa de mortalidade pode ser reduzida em 50% e a de hospitalização em 75 %, o que compensa o custo do programa, estimado em 500 milhões de dólares, segundo Fernando Henrique.Finalmente, o ex -presidente disse que o sucesso do programa permitiu que o Brasil pudesse resistir às queixas formuladas pelos Estados Unidos junto a Organização Mundial da Saúde (OMS) e Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo as quais o Brasil estaria violando as regras do comércio relacionadas com os direitos da propriedade intelectual. A conferência será encerrada na próxima quarta feira pelos presidentes da França, Jacques Chirac e da Comissão Européia, Romano Prodi. Seu tema principal será o acesso aos tratamentos anti-aids dos países em desenvolvimento, onde vive a maior parte dos pacientes, fato que constitui "uma obrigação moral, uma grande urgência e uma opção econômica". Entre os participantes encontram -se os conhecidos pesquisadores, o norte americano Robert Gallo e o francês Luc Montagnier, co-descobridores do vírus do HIV.

Agencia Estado,

13 de julho de 2003 | 15h38

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