FHC defende gastos com publicidade oficial

O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu os gastos do governo com publicidade, ao discursar na assinatura de acordo que permitirá reduzir em até 80% os preços de veiculação de campanhas de utilidade pública, como vacinação e prevenção contra as drogas ou a aids. "Se nós queremos um governo que fale com a sociedade, é por intermédio dos meios de comunicação de massa. E isso custa", disse, no Palácio do Planalto, respondendo às críticas de que o Executivo investe demais em propaganda. No ano passado, foram aplicados cerca de R$ 300 milhões.Fernando Henrique lembrou que operações difíceis para o País, como a troca de moeda, durante o Plano Real, e a superação da crise de energia, só tiveram êxito graças à publicidade. "Ou o governo utiliza os meios de comunicação ou não faz nada. Fica simplesmente girando com o peru de Natal, em torno da burocracia", discursou, enfatizando que basta agir com transparência para que a sociedade compreenda o investimento. Assinado entre a Secretaria de Comunicação de Governo e o Conselho Executivo das Normas-Padrão da Atividade Publicitária (Cenp), o acordo classifica a publicidade governamental em quatro categorias. A única a ter descontos é a de utilidade pública, que não poderá conter marcas ou slogans da administração, mas apenas o nome do ministério ou órgão responsável pela campanha."Há algo que se chama publicidade de utilidade pública - e essa não deve ser sujeita às dúvidas que ainda, às vezes, ocorrem, de que o governo está gastando dinheiro para fazer propaganda, como se fosse pecado comunicar-se", discursou Fernando Henrique. "Ao contrário, é preciso que haja comunicação e que se explique direito que certas formas de comunicação não são do governo: são do funcionamento da sociedade." E completou, brincando com a platéia de representantes de agências de publicidade: "Se tiver o dinheiro e se for uma campanha boa, muito bem, que gastem, que vocês ganhem sua partezinha moderada."Mais baratoO secretário de Comunicação de Governo, João Roberto Vieira da Costa, estima que a redução de custos em campanhas de utilidade pública será de 15% a 80% nos jornais; 8% a 60% na TV; e 15% a 70% no rádio.Mas o presidente do Cenp, Petrônio Correa, informou que os descontos serão definidos separadamente pelos órgãos de comunicação. O conselho é uma entidade de auto-regulamentação da propaganda, e reúne anunciantes, veículos e agências de publicidade.O secretário disse que as campanhas de utilidade pública consumiram metade - cerca de R$ 150 milhões - dos R$ 300 milhões gastos pelo governo em publicidade no ano passado. Neste ano o investimento global em anúncios deverá cair 42%, por causa das eleições, já que a propaganda governamental será proibida entre 5 de julho e 27 de outubro.Vieira da Costa afirmou que os gastos em anúncios de utilidade pública deverão crescer 50% com as novas regras, que valerão a partir do ano que vem. As outras modalidades de publicidade são a legal (editais, licitações), a mercadológica (anúncio de novo produto do Banco do Brasil, por exemplo) e a institucional (prestação de contas, divulgação de novas obras).

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