FHC defende Aloysio, general e PF no caso da invasão do MST

O presidente Fernando Henrique Cardoso saiu hoje em defesa dos órgãos que atuaram na desocupação da fazenda da família de seus filhos, em Buritis (MG), particularmante a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que foi acusada de não ter alertado o Palácio do Planalto sobre a iminência da invasão. ?O presidente reafirma sua confiança em todos os órgãos envolvidos, incluindo o Incra e muito especialmente a Abin pela sua participação ativa e correta no episódio?, disse o porta-voz Alexandre Parola.O presidente avisou ainda que ?o assunto agora está sendo tratado nas esferas policial e judiciária?, em clara alusão de que vai processar os responsáveis pela ocupação da fazenda. ?O presidente aproveita para agradecer aos diversos ministérios que se empenharam para que fosse obtida uma solução firme e pacífica?, disse o porta-voz.A declaração do presidente serviu para eliminar suspeitas de que algum dos responsáveis pelos órgãos de segurança envolvidos na operação de desocupação da fazenda Córrego da Ponte poderiam ser afastados do governo.Além do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, o ministro da Justiça, Aloysio Nunes, e o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, foram criticados.O primeiro, por não ter se prevenido, colocando o Exército na fazenda, já que havia indícios de movimentação dos sem-terra na área. O general assumiu na segunda-feira a responsabilidade na decisão de não mandar proteção para a fazenda e isentou a Abin, informando que ela havia avisado da possibilidade de invasão. Um erro de avaliação teria impedido a decisão de mandar o Exército para Buritis.No caso de Aloysio Nunes, a defesa do presidente em seu nome serviu para defender a ação da PF, elogiando também Agílio Monteiro. Como chefe da polícia que algemou e colocou deitados no chão os sem-terra presos, em atitude de humilhação, na opinião do presidente do Supremo Tribunal Federal, os dois receberam várias críticas.E por fim, o ministro Raul Jungmann, que também foi acusado de ter falhado no repasse de informações ao Gabinete Militar, por intermédio do Incra, que estava responsável pelas negociações com os sem-terra. Chegou-se a dizer que o Incra informava que as negociações estavam em andamento e, neste caso, que os riscos de invasão eram mínimos. Todo o episódio, na avaliação de interlocutores do presidente, servirá para se rever todo o esquema de segurança do chefe de governo. Ficou claro, de acordo com esses interlocutores, que é preciso manter vigilância constante nos locais considerados como residência do presidente da República.Essa regra, passaria a valer não apenas para beneficiar Fernando Henrique, mas seria incorporada às normas de segurança do Planalto e valeria para o futuro presidente. Com isso, além dos palácios do Planalto e Alvorada, passariam a ser vigiados o apartamento do presidente na rua Maranhão, em São Paulo, o sítio em Ibiúna, no interior de São Paulo, e a fazenda dos filhos em Buritis.Atualmente, os locais só passam por uma revista e contam com segurança de Estado quando o presidente programa viagens para cada um deles. A avaliação de auxiliares do presidente é de que ficou claro que esse tipo de segurança, que existe em todos os países do mundo, terá de ser feita aqui, sem as contumazes críticas que vinham ocorrendo, cada vez que o Exército era deslocado para Buritis para proteger a fazenda dos sem-terra. ?Ficou claro que temos de trabalhar com o imponderável?, disse um interlocutor do Planalto.Nesta terça, Fernando Henrique se reuniu com o ministro da Justiça e o diretor da PF para avaliar a situação em que ocorreram as prisões. Na reunião, foi acertado que é preciso intensificar o acompanhamento sobre as movimentações do MST já que eles estariam agindo de forma desgovernada e irresponsável.

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